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No encontro onde os principais empresários de ambos países firmaram acordos de cooperação bilateral e de intercâmbio de tecnologias- sinalizando a geração de novos empregos nos dois lados da fronteira - o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva e seu homólogo venezuelano, Hugo Chávez, criticaram a máquina da burocracia.

Para ambos, é necessário enfrentar os entraves burocráticos para que possibilitar o avanço do desenvolvimento econômico e social latinoamericano. “Acreditamos na integração política, econômica e social do continente. Entretanto, não haverá integração se não destravar a burocracia legal”, disse Lula.

O presidente brasileiro propôs uma "revolução" aos presidentes sul-americanos para que tomem uma decisão conjunta em combate a burocracia dos acordos. “Não podemos exigir que um técnico burle uma norma legal. Se for necessário enviaremos ao Congresso de cada país as mudanças para que a gente possa fazer uma revolução antiburocrática na América do Sul”, disse.

Chávez por sua vez admitiu que a histórica e cultural burocracia de seu país, hoje, é o principal inimigo a ser enfrentado. "O primeiro inimigo no nosso governo e do nosso povo não está no Pentágono, nem nos adversários internos, está na burocracia", disse. Prova dos entraves burocráticos do país caribenho é a estratégia política do governo, baseada em programas sociais implementados fora da estrutura dos ministérios, como alternativa para burlar a burocracia Estatal.

Nos últimos 18 meses, essa foi a quinta vez que empresários brasileiros e venezuelanos se reuniram para discutir acordos comerciais entre os dois países. “Devemos realizar parcerias estratégicas entre empresas. Estou seguro de que essas iniciativas contribuirão de forma importante para a geração de empregos e riquezas para nossos povos”, disse Lula, para quem o momento atual é propício para que os dois países estreitem as relações comerciais.

O presidente venezuelano, por sua vez, destacou que além de estreitar relações comerciais, é preciso olhar para o desenvolvimento social da região e colocar em prática o "sonho de Bolívar". "Temos que ir mais além do político, à integração social, à integração plena".

Entre os acordos de cooperação está o construção de 100 mil casas populares que integrarão o projeto do novo Ministério da Habitação, criado pelo governo venezuelano para suprir o déficit habitacional de 1,4 milhão de moradias. A Alusa, companhia técnica de energia elétrica, pretende fechar um contrato de 200 milhões de dólares para a construção de 100 mil casas populares. O projeto deverá contar com o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)

Amazônia à venda?

Instalados na região de maior interesse das trasnacionais pelas riquezas naturais, o discurso de Lula revela que a lógica conduzida por seu governo, de abertura ao capital estrangeiro, será aplicada também na Amazônia. “Queremos estimular o desenvolvimento social e econômico da Amazônia e promover a inserção internacional de seus produtos viabilizando, o aumento de exportações”, afirmou Lula. Um projeto de lei brasileiro para a exploração "sustentável" da Amazonia está em tramitação na Câmara. De acordo com alguns ambientalistas, se trata do atestado da privatização da região para exploração de organizações não-governamentais ambientalistas, em sua maioria estrangeiras.

Energia e TV

O tema da integração energética e da televisão do sul voltou à cena mas sem muita novidade. A iniciativa encabeçada pelo governo venezuelano, da qual faz parte a vizinha Argentina, é promover um novo modelo de televisão, que integraria as estatais de Argentina, Brasil e Venezuela, no que Chávez define como a "CNN latinoamericana". Chávez disse no encontro que a América Latina deveria se libertar do que o presidente venezuelano chamou de "tremendo poder dos meios de comunicação privados".

Quanto à empresa petroleira regional, não se trata só de vontade política. A Petrosul ou Petroamérica, se criada pode se conformar na maior empresa petroleira do mundo. A proposta tem sido bem aceita entre os trabalhadores que vivem sob a ameaça de privatização. Porém, os entraves estão justamente na divisão e controle dos recursos por parte dos negociadores.

O presidente do país quarto maior exportador de petróleo muncial explicou que o mercado petrolífero está saturado, fato que se contrapõe ao preço do barril. "O petróleo está em 40 doláres, porque os Estados Unidos invadiram o Iraque. O preço justo, para mim, é de 30 doláres o barril", sintetizou. Mas Chávez ressaltou que, apesar de não concordar com a atual política, não tomará decisões contrárias ao interesse da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Para Chávez, se as tropas estadunidenses não forem retiradas do Iraque o preço do barril pode chegar a até 100 dólares.

Referendo

Durante o discurso no encerramento do encontro, Lula parabenizou o presidente Chávez pela vitória no referendo, realizado em 15 de agosto, que confirmou sua permanência na presidência do país. “A partir do referendo não pode haver dúvida de que a Venezuela assumiu a consolidação do processo democrático. Quantas vezes encontrei Chávez angustiado, preocupado com problemas políticos de pessoas que não queriam aceitar o processo democrático".

Para Lula, não houve perdedores nem ganhadores no processo. “Temos que reconhecer o grau de consciência da população, que decidiu apoiar um presidente que tem dedicado sua vida em favor do povo pobre”, afirmou.

(Com informações da Agência Brasil e Venpres)