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Os venezuelanos voltaram às urnas neste domingo para escolher os futuros governadores, prefeitos e deputados, após uma campanha em que a opção, seguida da onda do referendo de 15 de agosto, é votar ou não pela ampliação do poder do governo Chávez.

Diferente do que ocorreu na última eleição em que os venezuelanos esperaram até 13 horas para votar -maior participação eleitoral da história da Venezuela- o clima no país era de extrema tranquilidade e pouca participação, principalmente entre os simpatizantes da oposição, que podem perdem em pelo menos metade dos Estados que hoje governa.

Na unidade educativa São Rafael de Paguita, no bairro Cátia do município Libertador, às 10h da manhã apenas 15% dos eleitores haviam votado. De acordo com o presidente do centro de votação, Rigoberto Estrella, essa era a média em todo o país. "A participação é maior nas eleições presidenciais. Se espera uma abstenção de no mínimo 40%", afirma. Nas eleições de 2000, o número de abstenção foi de 43,8% .

Após as denúncias de fraude realizadas pela oposição durante o referendo o Conselho Nacional Eleitoral auditará uma mesa por cada colégio eleitoral para assegurar a transparência do resultado. "Seria um disparate contar todas as caixas. Houve acordo dos dois lados para que fosse assim. Esse é o processo de votação mais transparente que existe na América Latina", avalia Diego Navarro, ex-diretor de processos eleitorais da comunidade de Madrid, um dos 85 observadores internacionais que acompanham as eleições em todo o país.

Para o observador internacional equatoriano, Marcelo Larrea, as eleições deste 31 de outubro estão mais organizadas que o processo do referendo de 15 de agosto. "As mesas foram instaladas com antecedências, os técnicos estão melhor preparados o que agiliza a votação", afirma.

Pelo "sim" ou pelo "não"

Em uma campanha eleitoral carente de propostas e debate político, o voto do venezuelano neste 31 de outubro foi norteado pela ampliação ou não dos programas de governo e da hegemonia chavista.

A administradora Maria José Resende, moradora do bairro Altamira, reduto da oposição, não acredita na idoneidade do processo eleitoral, mas diz que votou porque não concorda com as políticas adotadas pelo governo Federal. "Não quero esse governo e me oponho a qualquer candidato chavista", afirma Maria José, que diz ter votado no governador do Estado Miranda, Enrique Mendonça, principal líder opositor, que pode perder o governo do Estado para o candidato do governo Diosdado Cabello.

Justamente por sofrer com as diferenças políticas entre o prefeito de Caracas, ex-chavista, Alfredo Peña e o presidente, a vendedora Jadira Jorge, moradora do bairro popular El Silêncio, conta porque votou no candidato do governo, Juan Barreto. "Durante todo o ano o prefeito atrasou o salário dos professores para provocar greves e dizer que o governo não enviava dinheiro. Não tinha água nas escolas porque a prefeitura não pagava as contas. Sabemos que há dinheiro, mas ele faz tudo isso porque é da oposição", diz Jadira.

De acordo com as projeções anunciadas pelos principais partidos de oposição às vésperas das eleições, as estimativas do partido Ação Democrática (AD) são de que podem perder 46 das 96 prefeituras do país. O Partido Democrata Cristão (Copei) estima reduzir de 49 para 25 as atuais prefeituras sob seu controle e o partido Movimento ao Socialismo (MAS) pode conservar oito das suas 12 administrações. O Conselho Nacional Eleitoral ainda não divulgou nenhum resultado parcial.

Se confirmada a tendência, Chávez terá sob seu controle quase a totalidade dos 24 Estados do país, fator que de acordo o presidente significará o "aprofundamento" da revolução bolivariana, com a expansão dos programas sociais implementados pelo governo. "Começaremos uma nova etapa. O gverno estará mais fortalecido a partir de hoje" , afirmou Chávez minutos depois de votar no bairro 23 de janeiro, em Caracas.

Entre as principais medidas, Chávez anunciou na última semana que após as eleições regionais, atacaria o "câncer" do latifúndio para garantir os projetos de desenvolvimento planejados pelo seu governo.

Para o ex-diretor de processos eleitorais da comunidade de Madrid, Diego Navarro, caso os candidatos do governo sejam maioria nos Estados e municípios, o porcesso político na Venezuela entrará em uma etapa onde o grau de consciência e participação da população será decisico para definir os rumos do governo. "O país entrará em um novo processo em que de fato a população vai avaliar e exigir o cumprimento da democracia participativa da qual Chávez diz se amparar. A aplicação da Constituição venezuelana deve ser testada pelo povo mais do que nunca", afirma Navarro.