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O triplo jogo dos Neo-conservadores

Para bem atingir os seus sonhos megalómanos de domínio mundial, os neo- conservadores desenvolveram um triplo discurso, como mostra Laurent Guyénot neste ensaio: uma filosofia cínica da política elaborada pelo seu mestre pensador, Léo Strauss, para consumo interno; uma análise fria dos interesses estratégicos israelitas quando eles aconselham os dirigentes de Telavive; e uns alertas alarmistas face a perigos imaginários para a opinião pública dos E.U.

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O neo-conservadorismo, que é geralmente percebido como uma direita republicana extrema, é na realidade um movimento intelectual nascido no fim dos anos 1960 no seio da redacção da revista mensal Commentary, o orgão de imprensa do American Jewish Committee-(Comité Judaico Americano,NdT)- que substituiu o Contemporary Jewish Record em 1945. The Forward, o mais antigo quotidiano judeu americano, escreve num artigo de 2006: «Se há um movimento intelectual na América do qual os judeus podem reivindicar a invenção, é realmente o neo-conservadorismo. Este movimento horrorizará sem dúvida a maior parte dos judeus americanos, maioritariamente liberais (o liberal americano corresponde, grosso modo, ao sentido de Esquerdista europeu, mais do que esquerda,NdT) . E portanto é um facto que enquanto filosofia política, o neo-conservadorismo nasceu entre os filhos dos imigrantes judeus e que ele é actualmente, o domínio particular dos netos destes imigrantes». [1] O apologista do neo-conservadorismo Murray Friedman explica isto pelo sentido de beneficência inerente ao judaísmo, « a ideia que os judeus foram colocados sobre a terra para fazer um mundo melhor, talvez mesmo mais sagrado».  [2]

Do mesmo modo que se fala da «direita cristã» como uma força política nos Estados- Unidos, poderá, pois, falar-se dos neo-conservadores como representando a «direita judia». No entanto, esta caracterização é problemática por três razões.

- Primeiro, os neo-conservadores não passam de um pequeno clã, embora tenham adquirido uma força considerável nos seio das organizações representativas da comunidade judia, nomeadamente a Conference of Presidents of Major American Jewish Organizations(Conferência de Presidentes das Principais Organizações Judaicas Americanas,NdT) . O jornalista Thomas Friedman do New York Times contabiliza vinte-e-cinco, a propósito das quais ele escreveu em 2003: «se os tivésseis exilado numa ilha deserta há um ano e meio atrás, a guerra do Iraque não teria acontecido». [3] Os neo-conservadores compensam o seu pequeno número pela multiplicação dos seus Committees, Projects e outros think tanks redundantes, que lhes conferem uma espécie de ubiquidade, mas a sua filosofia permanece o apanágio de um pequeno número.

- Em segundo lugar, os neo-conservadores da primeira geração vêm todos maioritariamente da esquerda, e alguns até da extrema esquerda trotskista como Irving Kristol, intelectual fétiche do neo-conservadorismo e um dos principais redactores da Commentary. Foi no final dos anos 60 que a redacção da Commentary começa a sua viragem à direita rompendo com a New Left pacifista - (Nova Esquerda), incarnada por George McGovern. Norman Podhoretz, o redactor em chefe da Commentary de 1960 até à sua reforma em 1995, foi um militante anti-Vietname até 1967, para tornar-se nos anos 70 um fervoroso advogado do aumento do orçamento da Defesa, levando a redacção na sua esteira. Nos anos 1980, ele opõe-se à política de “detente” no seu livro The Present Danger (O Perigo Actual,NdT). Ele manifesta-se pela invasão do Iraque nos anos 90, e de novo no início dos anos 2000. Em 2007, enquanto o seu filho John Podhoretz toma o testemunho como redactor em chefe da Commentary, ele clama pela urgência de um ataque americano contra o Irão.

- Em terceiro lugar, contrariamente aos cristãos evangélicos com os quais eles se associam muitas vezes, os neo-conservadores não apregoam o seu judaísmo. Tenham ou não sido marxistas, eles são maioritariamente não-religiosos. A filosofia de que se reivindicam expressamente os mais influentes de entre eles (Norman Podhoretz e o seu filho John, Irving Kristol e o seu filho William, Donald Kagan e o seu filho Robert, Paul Wolfowitz, Abram Shulsky) é a de Leo Strauss, de modo que os neo-conservadores se definiram eles-mesmos, por vezes, como «straussianos». Strauss, nascido de uma família de judeus ortodoxos alemães, foi aluno e colaborador de Carl Schmitt, politólogo especialista de Thomas Hobbes, admirador de Mussolini, teórico de uma «teologia política» na qual o Estado se apropria dos atributos de Deus, e jurista renomado do Terceiro Reich. Após o incêndio do Reichstag em fevereiro de 1933, foi Schmitt que forneceu o quadro jurídico justificando a suspensão dos direitos e a instalação da ditadura. Foi também Schmitt que, em 1934, obteve pessoalmente da Rockefeller Foundation uma bolsa permitindo a Leo Strauss sair da Alemanha afim de estudar Thomas Hobbes em Londres, depois Paris, para por fim ensinar em Chicago. Esta filiação não é contestada pelos straussianos.

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Leo Strauss (1899-1973)

O pensamento de Leo Strauss é de análise delicada, porque ele exprime-se menos vezes em nome próprio e mas muito mais como comentador de autores clássicos. Além disso, tal como os seus discípulos Allan Bloom [4] ou Samuel Huntington, Strauss tem o cuidado de enroupar as suas ideias mais radicais em declarações de princípio humanistas. Seja como for três princípios fundamentais podem facilmente ser extraídos da sua filosofia política, pouco diferente da de Schmitt:

- Primeiro, as nações tiram a sua força dos seus mitos, que são indispensáveis para o governo dos povos.

- Segundo, os mitos nacionais não precisam ter relação
necessária com a realidade histórica: Estes são construções culturais que o Estado tem por dever de difundir.

- Terceiro, para ser eficaz, todo o mito nacional deve ser fundado sobre uma distinção clara entre o bem e o mal, porque ele tira a sua força aglutinadora do ódio a um inimigo da nação. Como o admitem Abram Shulsky e Gary Schmitt [5], para Strauss, «o logro é a norma em política»  [6] — regra que eles aplicaram ao fabricar, no seio do Office of Special Plans (OSP)- (sigla para Gabinete de Planos Especiais, NdT), a mentira das armas de destruição maciça de Saddam Hussein (ver mais à frente).Na sua maturidade, Strauss foi um grande admirador de Maquiavel, que ele pensava ter interpretado melhor que ninguém. Nas suas Réflexions sur Machiavel-(Reflexões sobre Maquiavel)  [7], ele demarca-se dos intelectuais que tentam reabilitar o Florentino contra o senso comum que o toma por amoral. Ao contrário, Strauss aprecia a amoralidade absoluta de Maquiavel, na qual ele via a fonte do seu génio revolucionário: «Nós valorizamos a opinião corrente sobre Maquiavel, não apenas porque é completa mas, sobretudo, porque não levar esta opinião a sério nos impediria de fazer justiça àquilo que é verdadeiramente admirável em Maquiavel: o carácter intrépido do seu pensamento, a grandeza da sua visão e a subtileza graciosa do seu discurso». [8] O pensamento de Maquiavel é tão puro e radical que as suas implicações últimas não poderiam ser expostas abertamente: «Maquiavel não pode ir até ao fim do percurso; a parte final do caminho deve ser feita pelo leitor que compreenderá o que foi omitido pelo autor». [9] Strauss é o guia que permite aos espíritos eleitos (os seus alunos neo-conservadores) seguir a estrada até ao fim:

«Para descobrir a partir dos seus escritos o que ele considerava como a verdade é difícil, mas não é impossível». [10] A verdade profunda de Maquiavel, que só o filósofo (straussiano) é capaz de encarar não é um sol ofuscante mas sim um buraco negro, um abismo que só o filósofo (straussiano) é capaz de contemplar sem se transformar em idiota: não tendo o universo que preocupar-se com a espécie humana e não sendo o individuo senão um insignificante grão de areia, não existindo nem bem nem mal, e sendo ridículo preocupar-se com a salvação da alma, mais do que da única realidade que pode levar à imortalidade: a nação. Maquiavel é pois o perfeito patriota, e o straussianismo é a forma pura do maquiavelismo, reservada aos eleitos.

Existem straussianos entre os arautos do imperialismo americano, mas é à causa de Israel que se devotam, prioritariamente, os neo-conservadores. O que os caracteriza não é tanto o judaísmo enquanto tradição religiosa, mas o sionismo enquanto causa nacional — uma causa que implica não somente a segurança de Israel, mas também a sua expansão a toda a Palestina, o Grande Israel. É bem evidente que, se o sionismo é sinónimo de patriotismo em Israel, já não poderá ser uma etiqueta muito aceitável para um movimento político nos Estados-Unidos, onde isso significaria uma lealdade a uma potência estrangeira. É por tal que os neo- conservadores não se reclamam como sionistas na cena política norte-americana. Mas também não o escondem entretanto. Elliott Abrams, conselheiro nacional de segurança adjunto na administração de Bush filho [11], escreveu no seu livro La Foi ou la Peur – (a Fé ou o Medo,NdT), acerca de

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«A Fé ou o Medo, como os judeus podem sobreviver numa América cristã», por Elliott Abrams (1997)

como podem os judeus sobreviver numa América cristã. [12] Dificilmente se encontraria uma melhor definição do sionismo, cujo corolário é o apartheid praticado contra os não-judeus da Palestina, que o defendido na mesma altura por Douglas Feith nas suas Réflexions sur le libéralisme, la démocratie et le sionisme- (Reflexões sobre o liberalismo, a democracia e o sionismo, NdT), pronunciadas em Jerusalém: «Há no mundo um lugar para as nações não-étnicas e um outro lugar para as nações étnicas». [13]

Se estamos autorizados a considerar os neo-conservadores como sionistas, é sobretudo constatando que as suas escolhas em política externa coincidiram sempre de forma perfeita com o interesse de Israel (tal como eles o concebem), ao ponto de suscitar legítimas interrogações sobre a sua lealdade principal. O interesse de Israel é desde sempre entendido como estando dependente de duas coisas: a imigração dos judeus da Europa do Leste e o apoio financeiro dos judeus do Ocidente (americanos e, em menor escala, europeus). Até 1967, o interesse nacional fazia pender Israel para a União Soviética, enquanto o apoio dos judeus americanos permanece restrito. A orientação socialista e colectivista do Partido trabalhista, fundador e maioritário, a isso o inclinam, mas as suas boas relações com a URSS de então explicam-se sobretudo pelo facto da imigração maciça de judeus não ser possível senão pela boa vontade do Kremlin. Durante os três anos a seguir à partida dos Britânicos (1948) que tinham até lá limitado a imigração por consideração para com a população árabe, 200.000 judeus polacos refugiados na URSS foram autorizados a viajar para a Palestina, enquanto outros afluem da Roménia, Hungria e Bulgária.

Mas a guerra dos Seis Dias marca uma viragem: em 1967, Moscovo protesta contra a anexação por Israel de novos territórios rompendo as suas relações diplomáticas com Telavive e parando subitamente a emigração dos seus cidadãos judeus, que tinha sido entretanto acelerada nos meses precedentes. Foi a partir desta data que a Commentary se torna, no dizer de Benjamin Balint, «o magazine polémico que transformou a esquerda judia numa direita neo-conservadora». [14]. Desde logo, os neo-conservadores tomam, com efeito consciência que a sobrevivência de Israel — e se possível a sua expansão territorial — depende da ajuda e da protecção militar norte-americana, e simultaneamente que a necessária imigração não poderá ser atingida senão pela queda do comunismo. Estes dois objectivos convergem na necessidade de reforçar o poder militar dos Estados-Unidos. Esta é a razão pela qual, escreve Irving Kristol na revista do American Jewish Congress – (Congresso Judeu Americano, NdT)- em 1973, é preciso combater a proposta de George McGovern de reduzir o orçamento militar em 30 %: «É colocar uma faca no coração de Israel. [...] Os judeus não gostam de grandes orçamentos militares, mas, agora, é do interesse dos judeus ter um grande e poderoso aparelho militar nos Estados-Unidos. [...] Os judeus americanos que se preocupam com a sobrevivência do Estado de Israel devem dizer ‘não, nós não queremos reduzir o orçamento militar, é importante conseguir um grande orçamento militar, afim de poder defender Israel». [15] Compreende-se melhor a realidade de que Kristol falava, quando ele definia, numa fórmula célebre, um neo-conservador como «um liberal que tinha sido confrontado com a realidade».  [16]

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Henry Scoop Jackson (1912-1983)

No final dos anos 60, os neo-conservadores apoiam a franja
militarista do partido democrata, cuja figura de proa, após a
retirada de Lyndon Johnson, é o senador Henry Scoop
Jackson, partidário da guerra do Vietname e opositor a
qualquer ideia de “detente”, concorrente de McGovern nas
primárias - (eleições dentro partido, NdT) - de 1972. Richard
Perle redige a emenda Jackson-Vanik, que condiciona a ajuda
alimentar à URSS à livre emigração dos judeus. Foi também
no seio do gabinete de Scoop Jackson que se forjou a aliança
entre os neo-conservadores e o tandem Rumsfeld-Cheney, que
aproveita a brecha do Watergate para aderir ao campo
republicano e investir para a Casa-Branca. Perle coloca os
seus protegidos Paul Wolfowitz e Richard Pipes à cabeça do
«Grupo B» (Team B), um conselho criado para rever em alta as estimativas da CIA sobre a ameaça soviética, cujo relatório, maliciosamente, alarmista, pregando um aumento dramático do orçamento da Defesa, é publicado na Commentary. [17] Durante o parêntesis Carter, os neo-conservadores associam-se aos cristãos evangélicos, vísceralmente anti-comunistas e naturalmente favoráveis em relação a Israel, que eles vêem como um milagre divino pré-figurando o retorno de Cristo.

Henry Scoop Jackson (1912-1983)

Graças à força dos seus lobbis e think tank (nomeadamente o American Enterprise Institute for Public Policy Research  [18] e o Hudson Institute), os neo-conservadores jogam uma cartada decisiva na eleição de Ronald Reagan, que lhes retribui nomeando uma dezena de entre eles para postos que vão desde a Segurança nacional à Política externa: Richard Perle e Douglas Feith para o Department of Defense, Richard Pipes para o National Security Council  [19], Paul Wolfowitz [20], Lewis «Scooter» Libby e Michael Ledeen para o State Department. Eles trabalham para reforçar a aliança dos Estados-Unidos com Israel: em 1981, os dois países assinam o seu primeiro pacto militar, depois embarcam em várias operações comuns, algumas legais e outras clandestinas como a rede de tráfico de armas e de operações paramilitares do negócio Irão-Contras. Anti-comunismo e sionismo estão, agora, tão bem coligados que em 1982, no seu livro Le Vrai antisémitisme en Amérique - (O real anti-semitismo na América,NdT)  [21], o director da Anti-Defamation League Nathan Perlmutter pode assimilar o movimento pacifista dos «ultrapassados artesãos da paz do Vietname, transmutando as espadas em relhas de arados»  [22], a uma nova forma de anti- semitismo. [23]

Com o fim da Guerra fria, o interesse nacional de Israel muda de novo. O objectivo prioritário deixou agora de ser a queda do comunismo, mas sim o enfraquecimento dos inimigos de Israel. Os neo-conservadores vivem a sua segunda conversão, do anti-comunismo à islamofobia, e criam novos think tanks como o Washington Institute for Near East Policy – (sigla em inglês para Instituto de Washigton para a Política do Próximo-Oriente)- (WINEP) dirigido por Richard Perle, o Middle East Forum dirigido por Daniel Pipes (o filho de Richard), o Center for Security Policy (CSP) fundado por Frank Gaffney, ou ainda o Middle East Media Research Institute (Instituto de Pesquisa para a Media do Médio-Oriente,NdT)(Memri). Entretanto, ao aceder à presidência, Bush pai tenta limitar a influência destes que ele apelida «os loucos». [24] Ele cultiva as relações com a Arábia saudita e não é um amigo de Israel. Mas é forçado a conceder o posto de secretário da Defesa a Dick Cheney [25], que se rodeia de Paul Wolfowitz e Scooter Libby. Estes dois homens são os autores de um relatório secreto do Defense Planning Guidance – (Guia do Planeamento de Defesa, NdT), passado à imprensa [26], que prega o imperialismo, o unilateralismo e, se necessário, a guerra preventiva «para dissuadir os potenciais competidores a sequer aspirar a um papel regional ou global maior».  [27] Com a ajuda de um novo Committee for Peace and Security in the Gulf (Comité para a Paz e Segurança no Golfo,NdT), co-presidido por Richard Perle, os neo-conservadores advogam, sem sucesso, pelo derrube de Saddam Hussein após a operação Tempestade do Deserto no Koweit. Desapontados pela recusa de Bush, (pai - NdT), de invadir o Iraque e pelas suas pressões sobre Israel, os neo-conservadores sabotam as suas hipóteses de um segundo mandato. A sua desforra será completa quando eles conseguem a eleição do seu filho para o levar a invadir o Iraque.

No entre-tempo, durante os dois mandatos do democrata Bill Clinton, os neo- conservadores preparam o seu retorno. William Kristol, o filho de Irving, funda em 1995 um novo magazine, o Weekly Standard, que graças ao financiamento do muito pró-Israel Rupert Murdoch, se torna imediatamente a voz dominante dos neo-conservadores. Em 1997, esta será a primeira publicação a exigir uma nova guerra contra Saddam Hussein. Com os seus porta-vozes Rumsfeld e Cheney, os neo- conservadores lançam todo o seu peso num último think tank, o Project for the New American Century (PNAC) - (sigla em inglês para Projecto para o Novo Século Americano, NdT). O nobre fim que se atribuem oficialmente os fundadores, William Kristol et Robert Kagan, é de «estender a actual Pax Americana»  [28], o que supõe «um exército que seja forte e pronto para responder aos desafios presentes e futuros».  [29] No seu relatório de setembro de 2000 intitulado Reconstruir as Defesas da América, [30], o PNAC antecipa que as forças armadas dos Estados-Unidos devem conservar forças suficientes para serem «capazes de se desdobrar rapidamente e de conduzir vitoriosamente vários grandes conflitos em simultâneo».  [31] Isto requer uma transformação profunda, incluindo um novo corpo («U.S. Space Forces») para o controlo do espaço e do ciberespaço, e o desenvolvimento de «uma nova família de armas nucleares destinada a fazer face a novas necessidades militares».  [32] Infelizmente, reconhecem os autores do relatório, «o processo de reconversão [...] será seguramente longo, a menos que surja um acontecimento catastrófico jogando o papel de catalisador — como um novo Pearl Harbor». [33] Embora fora do governo, os neo-conservadores aí continuam a ser bem escutados.

Com a designação em 2000 de George W. Bush, filho de George H. W. Bush, uma vintena de neo-conservadores do PNAC são investidos em numerosos postos chave da política externa, graças a Dick Cheney que, após se ter escolhido a ele próprio como vice-presidente, tem por missão formar a equipe de transição. Cheney escolhe como chefe de gabinete Scooter Libby. David Frum, um próximo de Richard Perle, torna-se o principal redactor dos discursos do presidente, enquanto que Ari Fleischer, um outro neo-conservador, é adido de imprensa e porta-voz da Casa-Branca. Cheney não se pode opor à nomeação de Colin Powell como secretário de Estado, mas ele impõe-lhe como colaborador John Bolton, republicano sionista de extrema direita, [34] secundado pelo neo-conservador David Wurmser. Cheney faz nomear como conselheira nacional de segurança Condoleezza Rice [35], que não é propriamente falando neo-conservadora mas que estava ligada há vários anos a um dos neo- conservadores mais agressivos, Philip Zelikow, como perito do Próximo-Oriente e do terrorismo, (sendo ela não mais que especialista sobre a União soviética e acessoriamente pianista virtuosa); para assessorar Rice são igualmente recrutados William Luti e Elliot Abrams, (ambos simultaneamente assistentes do presidente). Mas será sobretudo a partir do Departamento da Defesa, confiado a Donald Rumsfeld, que os três neo-conservadores mais influentes vão poder modelar a política externa: Paul Wolfowitz, Douglas Feith e Richard Perle, este último ocupando o posto chave de director do Defense Policy Board (Gabinete da Política de Defesa,NdT), encarregado de definir a estratégia militar. Assim, todos estes neo- conservadores se encontram no lugar que eles preferem, o de conselheiros e eminências pardas dos presidentes e ministros. Falta apenas o «novo Pearl Harbor», do 11 de setembro de 2001, para que os neo-conservadores possam conduzir os Estados-Unidos para as guerras imperiais dos seus sonhos. Antes do 11-Setembro, o relatório do PNAC pedia um orçamento anual da Defesa de 95 biliões de dólares; desde a guerra no Afeganistão, os Estados-Unidos despendem 400 biliões por ano, ou seja tanto como o resto do mundo todo junto, continuando ao mesmo tempo a fornecer a metade do armamento do mercado mundial. O 11-Setembro apareceu como a validação do paradigma do «Choque das civilizações» [36] caro aos neo- conservadores.

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Discursos-reflexos

A obra publicada em 2007 por John Mearsheimer e Stephen Walt, Le lobby pro- israélien et la politique étrangère américaine (O lobbi pró-israelita e a política estrangeira Americana,NdT)  [37], provocou uma onda de choque na opinião pública americana ao revelar a considerável influencia dos grupos de pressão pró-Israel, dos quais o mais antigo é a Zionist Organization of America (Organização Sionista da América,NdT) e o mais influente desde os anos 70, o American Israel Public Affairs Committee (Comité de Relações Públicas Americano-Israelita,NdT) (AIPAC). «Nós pensamos, escrevem os autores, que as actividades do lobbi são a principal razão pela qual os Estados-Unidos prosseguem no Médio-Oriente uma política desprovida de coerência, estratégica ou moral.» A tese dos autores está incompleta, porque eles não evocam o papel desempenhado no próprio interior do aparelho de Estado pelos neo-conservadores, que formam o outro braço de uma tenaz que mantêm os Estados- Unidos prisioneiros actualmente.

As duas forças que constituem os cripto-sionistas infiltrados no governo e a pressão do lobbi pró-Israel sobre o Congresso agem numa panelinha por vezes criminosa, como o ilustra a inculpação em 2005 de Lawrence Franklin, membro do Office of Special Plans, por ter transmitido documentos classificados da defesa a dois responsáveis do AIPAC, Steven Rosen e Keith Weissman, que os transmitiram por sua vez a um alto funcionário de Israel. [38] Franklin foi condenado a treze anos de prisão (reduzidos em seguida a dez anos de prisão domiciliária), enquanto que Rosen e Weissman foram ilibados. A maior parte dos neo-conservadores são membros activos do segundo lobbi pró-Israel, o mais poderoso, o Jewish Institute for National Security Affairs-(Instituto Judaico para os Assuntos de Segurança Nacional, NdT) (JINSA), ao qual pertencem igualmente Dick Cheney, Ahmed Chalabi [39] e outros membros da cabala que fomentou a invasão do Iraque. Colin Powell, segundo a sua biógrafa Karen DeYoung [40], vociferava em privado contra o «o governozinho paralelo»  [41] composto por «Wolfowitz, Libby, Feith, and Feith’s ‘Gestapo office’», que ele chamava «a cambada do JINSA».  [42]

Em 2011, o seu antigo director de gabinete Lawrence Wilkerson [43] denunciava abertamente a duplicidade dos neo-conservadores: «Eu via muitos destes tipos, incluindo Wurmser, como membros do Likud, tal como Feith. Vós não iríeis abrir a sua carteira para lá encontrar um cartão do partido, mas eu perguntei-me muitas vezes se a sua lealdade principal era para com o seu país ou para com Israel. Era o que me incomodava, porque o muito que fizeram e disseram refletia mais os interesses de Israel que os nossos».  [44] De facto, um numero significativo de neo- conservadores são cidadãos israelitas, tem a família em Israel ou aí residiram eles próprios. Certos são declaradamente próximos do Likud, o partido no poder em Israel, e vários foram mesmo oficialmente conselheiros de Benyamin Netanyahou. Um grande numero de entre eles são regularmente felicitados pela imprensa israelita pela sua acção em favor de Israel, como Paul Wolfowitz, nomeado «Man of the Year», (Personalidade do Ano,NdT), pelo muito pró-Likud Jerusalém Post em 2003, e «a mais belicista voz pró-Israelita da Administração»  [45] pelo quotidiano judeu americano The Forward.

Por muito perturbante que seja, a duplicidade dos neo-conservadores é uma conclusão hoje em dia largamente partilhada, até mesmo publicamente denunciada, por um grande numero de observadores. O sociólogo James Petras vê neles a ponta de lança de uma nebulosa do poder sionista no seu livro O sionismo, o militarismo e o declínio do poder dos EU . [46] Jonathan Cook argumenta em Israel e o choque das civilizações: Iraque, Irão e o plano de remodelação do Próximo-Oriente  [47] (2008) que a «guerra contra o terror» dos neo-conservadores tem como fim último fazer de Israel a única potência do Próximo-Oriente. A demonstração desta duplicidade foi feita igualmente por Stephen Sniegoski que chega à mesma conclusão em La Cabale transparente: l’agenda néoconservateur, la guerre au Proche-Orient et l’intérêt national d’Israël (A Cabala transparente: a agenda neo-conservadora, a guerra no Próximo-Oriente e o interesse nacional de Israel,NdT).  [48] Destes três livros publicados em 2008, nós copiamos o essencial do que se segue. A demonstração da duplicidade dos neo-conservadores repousa sobre a coincidência entre a fundação do PNAC em 1996 e a publicação pelo think-tank israelita Institute for Advanced Strategic and Political Studies (Instituto de Estudos Políticos e Estratégicos Avançados,NdT), de um relatório intitulado Uma rotura clara: uma nova estratégia para garantir a segurança do reino [de Israel].  [49] O relatório, dirigido ao Primeiro-ministro eleito, novamente Benjamin Netanyahou, convida-o « a mobilizar todas as energias possíveis para a reconstrução do sionismo»  [50] o que supõe a rotura com o processo de Oslo, quer dizer abandonar a política «paz por terra» de restituição dos territórios ocupados, e reafirmar o direito de Israel sobre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. « A nossa reivindicação da terra — à qual nós ficamos agarrados por uma esperança de 2000 anos — é legitima e nobre. [...] Só a aceitação incondicional pelos Árabes dos nossos direitos, em particular na sua dimensão territorial, "a paz pela paz", será uma base sólida para o futuro».  [51]

Os autores de Rotura clara encorajam pois o Primeiro-ministro israelita a adoptar uma política de anexação territorial contrária não somente à posição oficial dos Estados-Unidos e das Nações Unidas desde sempre, mas contrária igualmente ao discurso oficial de Israel. No momento em que assina, em setembro de 1999, a «Carta do roteiro» devendo conduzir a um Estado palestiniano e prosseguindo nesta via na cimeira de Camp David em julho de 2000, Netanyahou segue os conselhos da Rotura clara e trabalha secretamente para sabotar este processo. Netanyahou tem então por ministro dos Negócios estrangeiros Ariel Sharon, que qualifica abertamente os Acordos de Oslo como «suicídio nacional» e pronuncia-se pelas «fronteiras bíblicas», quer dizer um Grande Israel não deixando nenhuma terra aos Palestinianos: «Toda a gente deve correr e apoderar-se de todas as colinas que for possível para alargar os colonatos porque tudo o que nós apanharmos agora ficará nosso»  [52], declarou ele a 15 de novembro de 1998. Em 1999, Sharon sucede à Netanyahou, que se torna, por sua vez, ministro dos Negócios estrangeiros. A 28 de março de 2001, a diplomacia internacional colocou a paz no Próximo-Oriente ao alcance da mão: 22 nações reunidas em Beirute sob a égide da Liga Árabe comprometem-se a reconhecer Israel sob a condição de aplicação da Resolução 242. Mas no dia seguinte, o exército israelita invade Ramallah e cerca Yasser Arafat no seu QG, ao arrepio dos protestos da comunidade internacional. Seis meses mais tarde, o 11-Setembro enterrará definitivamente o processo de paz.

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«Richard Perle é um traidor, não há nenhuma outra maneira de o qualificar» afirmava o jornalista Seymour Hersh no The New Yorker ( a 17 de março de 2003), evocando as suas mentiras flagrantes sobre o Iraque (Perle respondeu na CNN que Hersh «era a coisa mais próxima que o jornalismo americano tinha de um terrorista»). Em 1970, uma escuta do FBI tinha surpreendido Perle transmitindo à embaixada de Israel informações classificadas obtidas de Hal Sonnenfeldt, membro do Conselho de segurança nacional. Perle trabalhou para a firma de armamento israelita Soltam, antes de fazer aconselhamento do primeiro-ministro israelita. Ele passa as suas férias nas sua “villa” de Gordes, no Lubéron.

Para além desta política local, Rotura clara apresenta um plano permitindo a Israel «modelar o seu ambiente estratégico», começando por «retirar Saddam Hussein do poder no Iraque», depois enfraquecendo a Síria e o Líbano, e finalmente o Irão.

O que é notável neste relatório, é que se trata de um manifesto político estratégico destinado ao governo israelita, escrito por cidadãos com dupla nacionalidade [53] que são simultaneamente autores do manifesto do PNAC e que se tornarão quatro anos mais tarde decisores da política externa americana: a equipa que produziu Clean Break é com efeito dirigida por Richard Perle, futuro presidente do Defense Policy Board (Gabinete da Política de Defesa,NdT) no Pentágono [54], e conta igualmente com Douglas Feith, futuro sub-secretário da Defesa encarregado da política, e David Wurmser, que integrará o Departamento de Estado, tal como a sua esposa Meyrav. Precisando, aqueles que em Israel apoiam o Likud e aconselham a Netanyahou uma política sionista de anexação dos territórios palestinos, vão em seguida aconselhar Bush sobre as questões de estratégia militar no Próximo-Oriente. Não surpreende pois a constatação que os conselhos sejam os mesmos, e que o programa sugerido a Netanyahou, como o derrube de Saddam, tenha sido implementado em parte pelos Estados-Unidos.

Se há diferenças entre o relatório Rotura clara, escrito para o governo israelita em 1996, e o relatório Reconstruir as defesas da América escrito pelos mesmos para o governo dos Estados-unidos em 2000, não é própriamente no programa, mas nas razões justificativas.

Primeiramente, Rotura clara não apresenta o Iraque como uma ameaça, mas pelo contrário como o elo fraco dos inimigos de Israel, o menos perigoso e o mais fácil a quebrar. Num documento a seguir a Rotura clara intitulado Fazer face aos Estados que colapsam: uma estratégia de equilíbrio ocidental e israelita de poder para o Levante  [55], David Wurmser sublinha a fragilidade dos Estados do Próximo-Oriente, e em particular do Iraque: « a unidade residual da nação é uma ilusão projetada pela repressão extrema do Estado»  [56]. É pois a mesma acção que é aconselhada a Israel e aos Estados-Unidos, mas por razões opostas. A fraqueza do Iraque, que é para Israel a razão para atacar em primeiro lugar, não constitui uma razão válida para os Estados-Unidos: apresenta-se pois o Iraque aos norte-americanos como uma ameaça mortal para o seu país. Netanyahou assinará ele mesmo um artigo no Wall Street Journal em setembro de 2002, sob o título «O dossiê para derrubar Saddam»  [57], descrevendo Saddam como «um ditador que desenvolve o seu arsenal de armas biológicos e químicas, que utilizou estas armas de destruição maciça contra o seu próprio povo e os seus vizinhos, e que tenta febrilmente adquirir armas nucleares».  [58]. Nenhuma ameaça semelhante é mencionada nos documentos internos israelitas, que não relatam além disso qualquer conexão do Iraque com a Al-Qaida, nem com Al-Qaida em geral.

Segunda diferença fundamental entre a estratégia aconselhada aos Israelitas e a propaganda vendida aos Norte-americanos pelos mesmos autores: enquanto a segunda põe em destaque, por um lado, o interesse securitário dos Estados-Unidos, e por outro, o nobre ideal de expandir a democracia no Próximo-Oriente, a primeira ignora estes dois temas. As convulsões consideradas pelos autores de Rotura clara não são supostas trazer qualquer benefício ao mundo árabe. Pelo contrário, o objectivo é claramente o de enfraquecer os inimigos de Israel agudizando os conflitos étnicos, religiosos e territoriais entre países e no interior de cada país. O que recomenda Rotura clara para o Iraque, por exemplo, não é nada a democracia mas a restauração de uma monarquia pró-ocidental. Um tal propósito era evidentemente secundário para os Norte-americanos, mas o objectivo realizado lá por Lewis Paul Bremer à frente da Coalition Provisional Authority - (Autoridade Provisória da Coligação)-(CPA) em 2003, a saber, a destruição das infraestruturas militares e civis em nome da «des-Baassificação», foi um sucesso do ponto de vista do Likud. Sob a responsabilidade de Bremer, 9 biliões de dólares desapareceram em fraudes, corrupção e desvio de fundos, segundo um relatório do Inspector geral especial para reconstrução do Iraque, Stuart Bowen, publicado a 30 de janeiro de 2005. Lembremos que Bremer foi também aquele que, apenas duas horas após o colapso das torres gémeas a 11 de setembro de 2001, se encontrava no estúdio da cadeia NBC como presidente da National Commission on Terrorism – (Comissão Nacional sobre o Terrorismo, NdT), para explicar, em tom calmo e seguro: «Ben Laden estava implicado no primeiro atentado contra o World Trade Center [em 1993], cuja intenção era fazer exactamente o que se passou aqui, quer dizer o colapso das torres. Ele é seguramente um suspeito e tanto. Mas há outros no Médio-Oriente, e há pelo menos dois Estados, Irão e Iraque, que devem, até ver, constar na lista dos principais suspeitos».  [59] Com esta declaração bem medida, Bremer inscrevia não apenas o acontecimento na história ao lembrar os atentados de 1993 contra o World Trade Center, postos arbitráriamente na conta de Ben Laden; mas além disso, ele anunciava já a história futura ao anunciar aos Norte-americanos as duas guerras principais com que deviam agora contar. Assim que o jornalista da NBC, numa réplica teleguiada, fez um paralelo com Pearl Harbor, o dia que mudou a vida da geração precedente, Bremer confirmou: «É o dia que vai mudar as nossas vidas. É o dia onde a guerra foi declarada pelos terroristas contra os Estados-Unidos [...] foi trazida ao território dos Estados-Unidos».  [60]

A diferença entre o discurso israelita de Perle, Feith e Wurmser e o seu discurso norte-americano encontra a sua explicação no próprio documento israelita, que recomenda a Netanyahou que apresente as ações israelitas «numa linguagem familiar aos Americanos, bebendo nos temas das administrações americanas durante a Guerra fria que se apliquem bem ao caso de Israel». [61] O governo de Netanyahou deverá «promover os valores e as tradições ocidentais. Uma tal abordagem [...] será bem acolhida nos Estados-Unidos». [62] Os valores morais não são pois evocados senão a título utilitário para mobilizar os Estados-Unidos. Enfim, enquanto os autores do relatório israelita insistem na importância de ganhar a simpatia e o apoio dos Estados-Unidos, eles afirmam ao mesmo tempo que um dos fins últimos da sua estratégia é a de libertar Israel das pressões e da influência dos Estados-Unidos: «Uma tal autonomia dará a Israel uma maior liberdade de ação e suprimirá um meio de pressão significativo utilizado pelos Estados-Unidos contra si no passado».  [63]

Fazer passar a ameaça contra Israel por uma ameaça contra os Estados-Unidos permite fazer conduzir a guerra de Israel pelos Estados-Unidos. No seu livro La Fin du Mal-(O Fim do Mal, NdT) (2003) [64], Richard Perle e David Frum aplicam-se a fazer interiorizar aos Norte-americanos os medos dos Israelitas, por exemplo quando clamam pela urgência de «pôr fim a este mal antes que ele mate de novo e a uma escala genocida. Não há aqui meias medidas para os Americanos: É a vitória ou o holocausto». [65] Mas, é impossível a qualquer um ser constantemente hipócrita, e acontece a qualquer neo-conservador debitar imprudentemente o seu pensamento em público. Foi o que aconteceu a Philip Zelikow, o conselheiro de Condoleezza Rice e director executivo da Comissão sobre o 11-Setembro, descaindo-se a propósito da ameaça iraquiana durante uma conferência na Universidade da Virgínia a 10 setembro de 2002: «Porque é que o Iraque atacaria a América ou utilizaria armas nucleares contra nós? Eu vou vos dizer aquilo que é, na minha opinião, a verdadeira ameaça, e que sempre foi desde 1990: é a ameaça contra Israel. É a ameaça que não ousa confessar o seu nome, porque os Europeus não se preocupam muito com esta ameaça, digo-vo-lo francamente. E o governo americano não quer muito apoiar-se nela retóricamente, porque não é um tema politicamente correcto». [66] Tudo claro: é preciso levar os EUA a fazer a guerra aos inimigos de Israel, e para isto convencer os Norte-americanos que os inimigos de Israel são os seus inimigos.

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Interrogado no dia seguinte ao 11-Setembro sobre as consequências disto nas relações entre os Estados-Unidos e Israel, Benjamin Netanyahou declara: «É óptimo [...] isto vai gerar imediatamente a simpatia [...], reforçar os laços entre os dois povos.» (fonte: A Day of Terror: The Israelis, por James Bennet, The New York Times, 12 de setembro de 2001).

Além disso, é preciso que os Americanos creiam que estes
inimigos detestam o seu país pelo que ele incarna (a
democracia, a liberdade, etc.), e não em razão do seu apoio a
Israel, enquanto tal é, na realidade, a principal causa do
ressentimento contra os Estados-unidos no mundo
muçulmano. Os signatários de uma carta do PNAC dirigida ao
presidente Bush a 3 de abril de 2002 (incluindo William
Kristol, Richard Perle, Daniel Pipes, Norman Podhoretz,
Robert Kagan, James Woolsey) irão ao ponto de pretender
que o mundo árabe odeia Israel porque este é amigo dos
Estados-Unidos, mais do que o inverso: «Ninguém deve
duvidar que os Estados-Unidos e Israel partilham um inimigo
comum. Nós somos ambos o alvo do que vós chamastes, justa
mente, um ‘Eixo do Mal’. Israel é atacado em parte porque é
nosso amigo, e em parte porque é uma ilha de liberdade e de
princípios democráticos — os princípios americanos — num
oceano de tirania, de intolerância e de ódio». [67] A 20
setembro de 2001, Netanyahou propagou a mesma
falsificação histórica aquando de uma audição no Congresso:
«Hoje, nós somos todos Americanos [...] Para os Ben Laden
do mundo inteiro, Israel é simplesmente um alvo colateral. O
alvo real é a América». [68] Três dias mais tarde, é o The New
Republic que titulava, em nome dos Norte- americanos: «Nós
agora somos todos Israelitas».  [69] A propaganda pós-11-
Setembro criou uma relação de fusão emocional.
Erradamente, os Americanos vivenciaram o 11-Setembro como a expressão de um ódio a seu respeito da parte do mundo árabe, e sentiram uma simpatia imediata por Israel, que os neo-conservadores exploraram sem descanso, como Paul Wolfowitz declarava a 11 de abril de 2002: «Após o 11-Setembro, nós Americanos temos uma coisa em comum com os Israelitas. Nesse dia a América foi atingida por atentados- suicidas. Nesse momento, cada Americano compreendeu o que significava viver em Jerusalém, ou Netanya ou Haifa. E, depois do 11-Setembro, os Americanos sabem agora porquê é que nós devemos bater-nos e ganhar a guerra contra o terrorismo».  [70]

Um dos fins evidentes é de fazer passar, aos olhos dos Americanos, a opressão dos Palestinianos por uma luta contra o terrorismo islâmico. Com efeito, como o afirmou o professor Robert Jensen: «Depois do atentado do 11-Setembro contra os Estados- Unidos, a estratégia de comunicação de Israel foi a de apresentar toda a ação palestiniana, violenta ou não, como terrorismo. Até onde conseguiram chegar, eles re-apresentaram a sua ocupação militar ilegal como fazendo parte da guerra da América contra o terrorismo». [71] A 4 de dezembro de 2004, o Primeiro-ministro Ariel Sharon justificou a sua brutalidade contra os habitantes da Faixa de Gaza pretendendo que a Al-Qaida aí tinha estabelecido uma base. Mas a 6 de dezembro, o chefe da Segurança Palestiniana Rashid Abu Shbak apresenta numa conferência de imprensa os dados telefónicos e bancários que provam que os serviços secretos de Israel tentaram eles próprios criar falsas células Al-Qaida na Faixa de Gaza, para isso recrutando Palestinianos em nome de Ben Laden. Os recrutas tinham recebido dinheiro e armas (defeituosas) e, após cinco meses de endoutrinamento, foram encarregados de reivindicar um próximo atentado em Israel em nome do «Grupo da Al-Qaida em Gaza». Os serviços israelitas previam, parece, montar eles mesmos um atentado contra a sua população e fazê-lo reivindicar pela falsa célula da Al-Qaida, afim de justificar as represálias .

Em Abril de 2003, um relatório intitulado Israeli Communications Priorities 2003(Prioridades da Comunicação Israelita,NdT), encomendado à agência de comunicação Luntz Research Companies & the Israel Project pela Wexler Foundation, organismo sionista especializado em intercâmbios culturais, oferece recomendações linguísticas para «integrar a história e a comunicação, e usá-las como ferramentas, no interesse de Israel»  [72] junto da opinião norte-americana [73]. É aconselhado, por exemplo, continuar a evocar sempre que possível «Saddam Hussein», que são ao mesmo tempo «as duas palavras que unem Israel à América» e «as duas palavras que são actualmente sem dúvida as mais detestadas da língua inglesa».  [74] «Durante o próximo ano — um ano INTEIRO — devereis invocar o nome de Saddam Hussein e lembrar que Israel esteve sempre solidário com os esforços americanos com vista a desembaraçar o mundo deste ditador cruel e de libertar o seu povo».  [75] O relatório sugere além disso estabelecer de maneira repetida um paralelo entre Saddam Hussein e Yasser Arafat. [76]

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No dia seguinte aos atentados do 11- Setembro, o Le Monde intitula o seu editorial «Nós somos todos Americanos»

Sofisticação máxima: Michael Ledeen contesta no seu livro La Guerre contre les maîtres de la terreur - (A Guerra contra os Mestres do Terror, NdT) (2003) [77] a ideia geral que a paz na Palestina é a condição para a paz no Próximo-Oriente. Afirma ao contrário, «Se nós destruirmos os mestres do terror em Bagdade, Damasco, Teerão e Riade, nós poderemos ter uma hipótese de negociar uma paz duradoura na Palestina».  [78]

A caminho da Quarta Guerra mundial

Os neo-conservadores tentaram explorar o traumatismo do 11- Setembro, do qual foram os arquitectos, para mobilizar os Estados-Unidos contra uma longa lista de países árabes, e muçulmanos, entre os quais aliados históricos. O Iraque é o primeiro visado. Desde a primeira guerra do Golfo, os neo-conservadores não cessaram de vilipêndiar o regime de Saddam Hussein e de apelar ao seu derrube. David Wurmser, por exemplo, publica em 1999, após outros livros virulentos contra os países muçulmanos, Allié de la tyrannie: l’échec de l’Amérique à vaincre Saddam Hussein - ( Aliado da tirania: o falhanço da América na batalha contra Saddam Hussein, NdT) [79]. Em 2000, l’American Enterprise Institute publica Étude d’une vengeance: la première attaque contre le World Trade Center et la guerre de Saddam Hussein contre l’Amérique – (Estudo sobre uma vingança: o primeiro ataque contra o World Trade Center e a guerra de Saddam Hussein contra a América, NdT)  [80], cujo autor, Laurie Mylroie, se diz devedor a Scooter Libby, David Wurmser, John Bolton, Michael Ledeen, e ainda mais a Paul Wolfowitz e à sua esposa Clare Wolfowitz, membro ela também do AEI. Mylroie não hesita denunciar Saddam Hussein como o cérebro do terrorismo anti-americano, atribuindo-lhe sem provas o atentado de 1993 contra o World Trade Center, o atentado de Oklahoma City(cometido por Timothy McVeigh,cidadão americano, NdT) em 1995 e o ataque contra o USS Cole no Iémen em 2000. Aquilo que ameaçava os Estados-Unidos seria segundo ela «uma guerra secreta terrorista, conduzida por Saddam Hussein»  [81], o terrorismo anti-americano sendo na realidade «um episódio num conflito que começara em agosto de 1990, quando o Iraque invadiu o Koweit, e que não mais acabara».  [82] Richard Perle descreveu este livro como «magnifico e claramente convincente».  [83]

Desde 19 setembro de 2001, que Richard Perle reunia o seu Defense Policy Board - (Gabinete da Política de Defesa, NdT) em companhia de alguns neo-conservadores como Paul Wolfowitz e Bernard Lewis (inventor antes de Huntington da profecia auto-demonstrativa do «choque das civilizações»), mas na ausência de Colin Powell e de Condoleezza Rice. O grupo pôs-se de acordo sobre a necessidade de derrubar Saddam Hussein a partir do fim da fase inicial da guerra no Afeganistão. Preparam uma carta para Bush, redigida sob orientação do PNAC e lembrando-lhe a sua missão histórica: «mesmo se faltam provas de um laço directo entre o Iraque e o ataque, qualquer estratégia visando a erradicação do terrorismo e dos seus patrocinadores deve incluir um esforço determinado para derrubar Saddam. Não empreender este esforço corresponderá a abandonar à partida, e de maneira talvez decisiva, a guerra contra o terrorismo internacional».  [84]. O argumento de uma ligação entre Saddam e a Al-Qaida é aqui relativizado e, no verão de 2002, o presidente Bush e o Primeiro ministro britânico Tony Blair contentar-se-ão em evocar conjuntamente os «laços fluidos»  [85] entre o regime de Saddam e a Al-Qaida. Perle, pelo contrário, não desistirá, afirmando, contra toda a evidência, que Mohamed Atta, o pretenso condutor dos terroristas do 11-Setembro, se teria encontrado com o diplomata iraquiano Ahmed Khalil Ibrahim Samir em Praga em 1999. A 8 de setembro de 2002 em Milão, Perle largará mesmo um “scoop” ao diário italiano Il Sole 24 Ore: «Mohammed Atta encontrou-se com Saddam Hussein em Bagdade antes do 11-Setembro. Nós temos provas disso». Ele evitará repetir esta alegação ridícula nos Estados-Unidos.

O rumor de um laço entre Saddam e a Al-Qaida é finalmente abandonado em proveito de um casus belli mais elaborado: a ameaça que constituiria para o mundo o stock de armas de destruição maciça detido por Saddam. Para tornar credível esta outra mentira, Cheney e Rumsfeld renovam a estratégia provada do Team B, consistindo em duplicar a CIA através de uma estrutura paralela encarregada de produzir o relatório alarmista que precisam: esta estrutura será o Gabinete dos planos especiais (OSP), unidade especial no seio do Gabinete Próximo-Oriente e Ásia do Sudeste (NESA) do Pentágono [86]. Alcunhado como «a Cabala», o OSP é controlado pelos neo-conservadores William Luti, Abram Shulsky, Douglas Feith e Paul Wolfowitz. A tenente-coronel Karen Kwiatkowski, que trabalhava para o NESA à época, testemunha em 2004 sobre a incompetência dos membros do OSP, que ela viu «usurpar avaliações estatísticas cuidadosamente analisadas, e por supressões de dados e distorções de análise de informação, transmitir mentiras ao Congresso e ao gabinete executivo do presidente».  [87]

Em 2003, quando se torna claro que não se encontrou qualquer arma de destruição em massa no Iraque, os neo-conservadores repercutem alegações ridículas de Ariel Sharon, que afirma que o Iraque as transferiu secretamente para a Síria, assim como os seus cientistas nucleares. A 11 de novembro de 2003, o Congresso vota a Lei para que a Síria preste contas e para que a soberania libanesa seja restaurada  [88], impondo sanções económicas «para que a Síria cesse de apoiar o terrorismo, meta fim à sua ocupação do Líbano, e pare o desenvolvimento de armas de destruição maciça»  [89]. A agressão contra a Síria só será desencadeada em 2011, sob o disfarce de uma guerra civil, mas ela estava já premeditada pelo menos desde fevereiro de 2000, logo que David Wurmser, num artigo intitulado «É preciso derrotar a Síria, nunca negociar»  [90], fazendo votos para um conflito que fará com que «cedo a Síria seja sangrada até à morte».  [91]

Desde o 11-Setembro, o Irão está igualmente na linha de mira dos neo-conservadores, que fazem eco do Primeiro-ministro israelita Ariel Sharon, declarando o Irão «Centro do terror mundial» numa entrevista ao Times de Londres de 2 de novembro de 2002, e apelando a um bombardeamento norte-americano ao Irão «no dia a seguir à invasão americana do Iraque». Certos neo-conservadores como Kenneth Timmerman, membro dirigente do JINSA, propagandeiam que o Irão protegeu Ben Laden e colaborou com a Al-Qaida. [92] Na primavera de 2008, o presidente Bush acusa o Irão de apoiar a insurreição no Iraque: «O regime de Teerão deve fazer uma escolha [...] Se o Irão fizer a escolha errada, a América agirá para proteger os seus interesses, as suas tropas e os seus parceiros iraquianos».  [93] Deve-se pois lembrar que a 4 de maio de 2003, o governo iraniano transmitiu a Washington, por intermédio do embaixador suiço em Teerão, uma proposta conhecida sob o nome de «a grande barganha» pelo qual o Irão, em troca do levantamento das sanções económicas que lhe foram impostas, comprometia-se a cooperar com os Estados-Unidos para estabilizar o Iraque e a lá estabelecer uma democracia laica, e dizendo-se pronto para outras concessões incluindo a paz com Israel. Powell foi impedido por Bush e Cheney de responder favoravelmente a esta proposta. Assim, resumiu o seu chefe de pessoal Lawrence Wilkerson: «A Cabala secreta obteve o que queria: nada de negociações com Teerão».  [94] No fim, o Irão foi colocado no banco dos réus pelo seu programa de pesquisa nuclear civil, que seria secretamente militar. Desde a publicação em 2005 de um primeiro relatório do National Intelligence Estimate - (Avaliação de Inteligência Nacional,NdT)-(NIE) sobre o nuclear iraniano, que conclui por um provável objectivo militar, não se passa praticamente semana alguma sem que a ameaça não seja mencionada nos jornais televisivos. Durante este tempo, nada foi sequer murmurado a propósito do programa israelita, ilegal e sempre escondido, que dotou Israel de um stock de várias centenas de bombas atómicas. O facto que, em novembro de 2007, um novo relatório NIE [95] tenha revisto o perigo iraniano em baixa, mostra que o nível de alerta considerado não faz mais que refletir a relação de forças no interior do aparelho de Estado, respondendo as estimativas alarmistas às invectivas dos neo-conservadores, enquanto as estimativas prudentes exprimem a voz do comando militar, pouco inclinado a uma nova guerra após o descalabro iraquiano. [96]

Paralelamente, falsos pretextos de guerra são regularmente criados. Sabe-se graças a Gwenyth Todd, conselheira sobre o Próximo-Oriente ligada à Quinta esquadra da Marinha dos EU, estacionada no Golfo pérsico, que pouco tempo após ser nomeado comandante desta esquadra em 2007, o vice-almirante Kevin Cosgriff ordenou manobras agressivas dos seus porta-aviões, e outros navios, com o objetivo de fazer os Iranianos entrar em pânico para que um disparo da parte deles permitisse desencadear a guerra desejada pelo lobbi pró-Israel. Cosgriff queria «colocar uma armada virtual à porta do Irão, sem aviso»  [97], sem mesmo avisar Washington disso [98]. A 6 de janeiro de 2008, o Pentágono anuncia que vedetas iranianas abriram fogo sobre os navios americanos USS Hooper e USS Port Royal em patrulha no estreito de Ormuz, ao mesmo tempo que emitiriam mensagens de ameaça como: «Vamos para cima de vós» e «Vós ireis explodir em dois minutos.» As televisões mostraram um dos barcos iranianos pondo pequenos objetos brancos na água, apresentados como minas. Evocando este incidente excepcionalmente «provocatório e dramático», o chefe de estado-maior inter-armas Mike Mullen disse-se preocupado «pela ameaça colocada pelo Irão», e nomeadamente «pela ameaça de minagem dos estreitos», e diz-se pronto a utilizar «a força letal» se for preciso . Na realidade, o incidente era totalmente falso. As vedetas iranianas, que patrulham quotidianamente esta zona, e aí se cruzam regularmente com os navios americanos, não haviam emitido nenhuma ameaça. O vice-almirante Cosgriff admitiu que as equipagens dos EU não tinham notado nada de inquietante, as vedetas iranianas não possuíam «nem misseis anti-navios, nem torpedos.» As mensagens rádio ameaçadoras não emanavam destes navios: «Nós não sabemos de onde é que elas vinham» admitiu a porta-voz da Quinta Esquadra, Lydia Robertson.

As eleições iranianas de 2009, e a contestação que se seguiu em Teerão, foram a ocasião de uma nova guerra psicológica utilizando as redes sociais pela internet e destacada pelos médias americanos. Em poucos dias, a morte de uma jovem mulher durante as manifestações é explorada como símbolo da opressão do regime islâmico. Neda Agha-Soltan teria sido morta a 20 de junho de 2009 por um “sniper” da milícia para-militar, quando acabava de sair da viatura com o seu professor de música. O vídeo da sua agonia filmado em directo por telefone portátil deu instantaneamente a volta ao mundo no Facebook, depois no YouTube. Várias reuniões tiveram lugar em sua homenagem em todo o mundo. Até se falou em atribuir-lhe o Prémio Nobel da Paz. O seu noivo, um fotografo de nome Caspian Makan, encontrou-se com Shimon Peres em Israel e declarou: «Eu venho a Israel como um embaixador do povo iraniano, um mensageiro do campo da paz.» E acrescentará: «Eu não tenho nenhuma dúvida que o espírito e a alma de Neda estavam connosco aquando deste encontro presidencial». Infelizmente, as incoerências acumulam-se: 1) existem de facto três vídeos da agonia de Neda, que se assemelham a várias «tomadas» da mesma cena;
2) o visionamento imagem a imagem mostra que a jovem, por reflexo, coloca a sua mão em terra para amortecer a queda. O seu sistema nervoso central continuou a funcionar o que prova que ela não foi morta pela bala

3) o mesmo visionamento mostra que a sua face está ensanguentada por meio de uma bolsa de sangue insuficientemente dissimulada na palma da mão
4) Uma entrevista à BBC do médico que assistiu à sua morte está repleta de contradições

5) A autópsia concluiu que Neda tinha sido morta à queima roupa, (ela foi pois morta pelos seus «amigos» durante o seu transporte para o hospital)

6) Por fim, o rosto tornado ícone planetário era na realidade o de uma outra jovem mulher, Neda Soltani. Esta tentou, em vão, fazer suprimir a sua foto na internet e, sentindo a sua vida em perigo, resignou-se a imigrar para a Alemanha, onde escreveu um livro, Mon visage volé – (O roubo da Minha Cara).

Entre os países visados pelos neo-conservadores após o 11-Setembro encontra-se também a Arábia saudita. A sua colocação no banco dos réus está inscrita no cenário do 11-Setembro, pelo facto de Oussama Ben Laden e de 15 dos 19 pretensos piratas do ar serem Sauditas. Foi David Wurmser quem abriu as hostilidades no Weekly Standard, com um artigo intitulado «A conexão saudita»  [99], pretendendo que a família real estava por trás do atentado. O Hudson Institute, um dos bastiões dos neo- conservadores, conduz de há muito tempo uma virulenta campanha de diabolização da dinastia saudita, sob a batuta do seu co-fundador Max Singer (hoje em dia director de pesquisa no Institute for Zionist Strategies – (Instituto para a Estratégia Sionista, NdT) em Jerusalém). Em junho de 2003, o instituto patrocinou um seminário intitulado Os discursos sobre a democracia: a Arábia saudita, amigo ou inimigo?  [100], onde todas as intervenções sugerem que «inimigo» é a resposta correcta. Um acontecimento especial saudou a saída do livro O Reino do ódio: como a Arábia saudita apoia o novo terrorismo global  [101], do Israelita Dore Gold, que foi conselheiro de Netanyahou e de Sharon, e embaixador de Israel nas Nações Unidas. A 10 de julho de 2002, o neo-conservador franco-americano Laurent Murawiec, membro do Hudson Institute e do Committee on the Present Danger, intervêm diante do Defense Policy Board -(Gabinete da Política de Defesa,NdT)- de Richard Perle para explicar que a Arábia saudita representa « núcleo do mal, a força motriz, o adversário mais perigoso»  [102], e recomendar que os Estados-Unidos o invadam, o ocupem e o dividam. Ele resume a sua «Grande estratégia para o Próximo-Oriente» nestas palavras: « O Iraque é o pivô táctico. A Arábia Saudita é o pivô estratégico. O Egipto é o prémio.»  [103] Murawiec é o autor de várias obras de diabolização dos Saoud, entre os quais Os Príncipes das Trevas: o assalto dos Sauditas contra o Ocidente  [104]. O resenha do editor do seu livro francês La guerre au XXIe siècle - (A guerra no século XXI, NdT) merece ser citado: «O reino protegeu durante anos Ben Laden, formado aliás, no início, por uma unidade especial da CIA. A dinastia dos Sauditas financiou, com pleno conhecimento de causa, o terrorismo apoiando para isso centenas de organismos islâmicos pretensamente humanitários. O poder real conseguiu no decorrer dos anos infiltrar agentes de influência ao mais alto nível da administração americana e organizar um eficaz lobbi intelectual que controla, agora, várias universidades do país entre as mais prestigiosas.»

Embora omnipresentes no governo Bush, os neo-conservadores são, com efeito, os principais inspiradores da contestação soft (suave,NdT) do 11-Setembro, representada em França pelo jornalista Éric Laurent [105], que admite a responsabilidade da Al- Qaida mas concentra as suas pesquisas nas ligações entre os Bush, os Saoud e os Ben Laden. No seu livro já citado, La Fin du Mal-(O Fim do Mal,NdT)-(2003), Richard Perle, a eminência parda do Pentágono, e David Frum, o próprio redactor dos discursos do presidente Bush, afirmam que «Os Sauditas se colocaram a si mesmos no Eixo do Mal»  [106] e imploram ao presidente Bush para «dizer a verdade sobre a Arábia saudita»  [107], ou seja que os príncipes sauditas financiam a Al-Qaida. Para compreender a inanidade de uma tal acusação, basta saber que os Saoud destituíram Oussama Ben Laden da sua nacionalidade em abril de 1994, exasperados pelas suas acusações incessantes contra a presença militar americana, que eles toleram nos lugares santos do Islão, desde a primeira Guerra do Golfo. Numa Declaração de guerra contra os Americanos que ocupam o país dos Dois lugares santos  [108], difundida em 1996, Ben Laden apela ao derrube do seu regime e, em 1998, admite o seu papel no atentado de 13 novembro de 1995 contra o quartel general da Guarda Nacional em Riade. Oussama Ben Laden é inimigo jurado dos Saoud. É inimaginável que os Saoud tenham conspirado com ele contra os Estados-Unidos; pelo contrário, é plausível que eles tenham conspirado contra ele com os seus amigos do clã Bush, pondo-lhe um atentado às costas para lhe lançar o exército americano às canelas e, na mesma pancada, liquidar o regime Talibã às custas da UNOCAL. Tudo leva, pois, a crer que a família Bush está implicada no complô do 11-Setembro, (pensemos no papel jogado pelo irmão e pelo primo do Presidente, Marvin Bush e Wirt Walker III, à cabeça da sociedade Securacom que controlava o acesso ao WTC), mas que ela foi dobrada-(como numa cena de duplos,NdT)-e que George W. serviu depois de escudo humano aos neo-conservadores, cujos objectivos vão muito para lá de Ben Laden, do Afeganistão e do petróleo. Assim se explica com efeito, a posteriori, a escolha dos neo-conservadores para levar George W. Bush à presidência, um homem facilmente «missionado por Deus» (donde o sobrenome de Blues Brothers que ele partilha com o seu Attorney General John Ashcroft, outro cristão sionista). Como o resumiu o neo-conservador Michael Ledeen: Ele tornou-se presidente, mas sem saber porquê, e a 11-Setembro, ele descobriu o porquê. [109]

Atirar a responsabilidade do 11-Setembro para cima de Ben Laden (sem provas e desprezando o desmentido repetido do interessado), permite aos neo-conservadores sabotar não só a aliança dos Estados-Unidos com a Arábia Saudita, mas também com o Paquistão. Já que atrás de Ben Laden, estão os Talibãs que o abrigam; e por trás dos Talibãs, está o Paquistão que suporta o seu regime. É pois igualmente o Paquistão que é indirectamente acusado após o 11-Setembro. Nenhuma acusação oficial é levantada, mas fugas orquestradas para a imprensa evocam cumplicidades no seio do ISI. O general Ahmed Mahmoud, director do ISI, é posto em causa numa informação relatada primeiro pelo The Times of India: «as autoridades americanas tentaram descartá-lo depois de terem tido a confirmação que 100000 dólares tinham sido transferidos para o terrorista Mohamed Atta, desde o Paquistão, por Ahmed Omar Saïd Sheikh [agente do ISI] por ordem do general Mahmoud ». [110] Uma vez que Mohamed Atta não é neste assunto senão um “patsy”(espantalho-NdT), esta fuga de informação organizada só pode ser interpretada como um meio de chantagem contra o ISI e o Estado paquistanês para os forçar a cooperar com os Estados-Unidos na destruição do regime Talibã. Talvez o ISI tenha efectivamente fornecido dinheiro a Atta, o qual teria sido escolhido como chefe fictício dos terroristas precisamente para isto. Mahmoud, que se tinha deslocado várias vezes a Washington desde 1999, encontrava-se precisamente aí entre 4 e 11 de setembro de 2001. Ele teria então tido encontros com George Tenet, director da CIA, Marc Grossman, sub-secretário de Estado para os assuntos políticos, e talvez mesmo Condoleezza Rice, embora esta o tenha desmentido. Na altura dos atentados, ele participava num pequeno-almoço de trabalho com Bob Graham, presidente da Comissão senatorial de Informações, e Porter Goss, presidente da Comissão de Informações na Câmara dos Representantes; «Nós falamos do terrorismo, nomeadamente do gerado no Afeganistão»  [111], segundo Graham, que com Goss será nomeado para a Comissão sobre o 11-Setembro. Não se sabe o que terá sido dito a Mahmoud após a notícia dos atentados, mas ele irá passar à reforma no mês seguinte, asfastar-se-á da vida política juntando-se ao movimento religioso Tablighi Jamaat num modo de levar consigo o seu segredo para a sua tumba.

Podemos imaginar, sem grande esforço, porque o sector do “Estado profundo” dos EU, que orquestrou o 11-Setembro, teria querido fazer pressão sobre o governo paquistanês: forçá-lo a alinhar com a tese oficial do 11-Setembro e, sobretudo, retomar as rédeas sobre este aliado indisciplinado, sob a ameaça de ser tratado como inimigo no caso de recusar cooperar («ou vocês estão connosco, ou vocês estão com os terroristas»). Mas pode-se também detectar, nos rumores sobre os laços entre a Al- Qaida e o ISI, uma vontade de envenenar as relações entre o Paquistão e os Estados- Unidos, mais do que melhorá-las. A encenação da captura de Ben Laden tende confirmá-lo. Ela permitiu acusar o Paquistão, após o Afeganistão, de ter abrigado Ben Laden durante uma dezena de anos, o que constitui aos olhos dos Norte-americanos uma verdadeira traição da parte de um país aliado. Vários livros defendem esta linha, como o do veterano da CIA Bruce Riedel, Abraço mortal: o Paquistão, a América e o Futuro da Jihad mundial.  [112] Segundo Riedel, a vida tranquila de Ben Laden nos arredores de Abbotabad sugere «um grau incrível de duplicidade» da parte do Paquistão, que poderia ser «o patrão secreto da jihad global, a uma escala tão perigosa que é inconcebível. Nós teríamos então de repensar completamente a nossa relação com o Paquistão e o nosso entendimento dos seus objectivos estratégicos»  [113].

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Andrew Cockburn reporta no seu livro sobre Rumsfeld (2007) esta conversa entre os dois George Bush: — O que é que é um neo-con? pergunta Júnior. — Tu queres nomes ou uma definição? — Definição. — Bom, eu dou-te uma, numa única palavra: Israel, responde o Pai.

A guerra contra o Iraque sob o pretexto das armas de destruição maciça inexistentes, a desestabilização da Síria por interpostos Contras, a ameaça de rebentar com o Irão sob o pretexto de um programa de armamento nuclear que não é encontrado, tudo isto testemunha uma vontade de abrasar o Próximo-Oriente, enquanto as acusações de cumplicidade com a Al-Qaida lançadas contra o Paquistão e a Arábia saudita visam corroer a aliança dos Estados-Unidos com estes países afim de que os Estados-Unidos não tenham mais do que um único aliado na região: Israel. O que parecem querer desencadear os cripto-sionistas é uma guerra mundial de onde sairão enfraquecidos e retalhados todos os inimigos de Israel, durante décadas, de modo que Israel poderá mesmo dispensar os Estados-Unidos, arruinados pelas suas despesas militares como o foi a URSS nos anos 80, e por acrescento detestados através do globo.

Num artigo do Wall Street Journal de 20 de novembro de
2001, o neo-conservador Eliot Cohen fala da guerra contra o
terrorismo como a «a IVa Guerra mundial», e o termo será
retomado por outros neo-conservadores. Em setembro de
2004, um colóquio neo-conservador em Washington incluindo Norman Podhoretz e Paul Wolfowitz intitulava-se «IVa Guerra mundial: Porque nos batemos, quem devemos combater, como nos batemos». [114] Cohen declarava: «O inimigo, não é o terrorismo [...] mas sim o islão militante». Como a Guerra fria (assimilada a uma IIIa Guerra mundial), a IVa Guerra mundial descrita por Cohen tem raízes ideológicas, será global e durará muito tempo, implicando numerosos tipos de conflitos. O tema da IVa Guerra mundial foi igualmente popularizado por Norman Podhoretz, no seu artigo «Como ganhar a IVa Guerra mundial»  [115] aparecido no Commentary em fevereiro de 2002, seguido por um segundo artigo em setembro de 2004, «A IVa Guerra mundial: como começou, o que significa e porque nós devemos vencer»  [116], e para terminar um livro intitulado em 2007 IVa Guerra mundial: a longa luta contra o islamo-fascismo  [117]. No seu artigo de 2004, ele escreve: «Nós enfrentamos uma força verdadeiramente perversa no islão radical, e nos países que alimentam, abrigam ou financiam o seu exército terrorista. Este novo inimigo já nos atacou na nosso próprio solo — uma façanha que nem a Alemanha nazi nem a Rússia soviética conseguiram — e anuncia abertamente a sua intenção de nos atingir de novo, desta vez com armas infinitamente mais potentes e mortais que as utilizadas a 11-Setembro. O seu objectivo não é simplesmente assassinar o maior numero de entre nós e de conquistar a nossa terra. Como os Nazis e os comunistas antes dele, ele está determinado a destruir tudo aquilo que é bom no que a América representa».  [118]

Parece evidente que os neo-conservadores têm a intenção de legar como herança à humanidade uma guerra mundial de aniquilação contra a civilização islâmica. Um tal hubris é incompreensível sem um conhecimento da natureza histórica do sionismo e das suas formas extremistas. O sionismo é antes de mais um sonho bíblico: «A Bíblia é o nosso mandato», proclamava em 1919 Chaim Weisman, futuro primeiro presidente de Israel em 1948. David Ben Gourion, embora agnóstico, era possuído pela história bíblica, ao ponto de adoptar o nome de um general judeu que combateu contra os Romanos. «Não pode haver educação política ou militar válida a propósito de Israel sem um conhecimento aprofundado da Bíblia», repetia. [119] Antecipando um ataque contra o Egipto em 1948, ele escreve no seu jornal: «Isto será a nossa vingança pelo que eles fizeram aos nossos antepassados nos tempos bíblicos.».  [120] Ora, o sonho bíblico em que se inspiram os sionistas é baseado sobre a noção de «povo eleito», o que é um «racismo metafísico». Os pais do sionismo, maioritáriamente ateus, transpuseram esta noção para a ideologia dominante do seu tempo, em concorrência com o racismo germânico. Moses Hess, que inspirou o fundador histórico do sionismo Theodor Herzl, opunha às teorias do seu amigo Karl Marx a ideia que as guerras de raças são mais importantes na história que as lutas de classes, e afirmava que «a raça judia é uma raça pura» de caracteres «indeléveis».

Escutemos igualmente Zeev Jabotinsky, figura maior do sionismo: «Um judeu culto no meio de Alemães pode certamente adoptar os hábitos alemães, a língua alemã. Ele pode ficar totalmente impregnado por este fluido germânico, mas permanecerá sempre um judeu, porque o seu sangue, o seu organismo e o seu tipo racial, no plano corporal, são judeus.» Estas frases foram escritas em 1923, dois anos antes do Mein Kampf de Hitler. Sionismo e nazismo conviveram bem até ao fim dos anos 30, como o demonstrou Lenni Brenner. [121] O rabino Joachim Prinz, que se tornará presidente do American Jewish Congress – (Congresso Judeu Americano, NdT) - de 1958 à 1966, celebrava em Berlim em 1934 as leis raciais alemãs no seu livro Nous, les juifs - (Nós , os judeus, NdT) [122]: «Um Estado construido sobre o princípio da pureza da nação e da raça pode ser honrado e respeitado por um judeu que afirma a sua pertença à comunidade dos seus semelhantes.» Pelo contrário, segundo Prinz, os judeus assimilacionistas são os inimigos do sionismo tanto quanto do nazismo.

Em 1947-48, o racismo sionista abateu-se sobre os Palestinianos sob a forma de uma limpeza étnica que fez fugir 750.000 de entre eles, ou seja mais da metade da população nativa o que relembra a ordenada por Yavé contra os Cananeus: «fazer tábua rasa das nações das quais Yavé teu Deus te entregou o domínio, desapossá-los e habitar nas suas cidades e nas suas casas» (Deut 19:1) e, nas cidades que resistam, «nada deixar subsistir vivo» (20:16). Para uma comunidade como para um individuo, o problema não vem de se crer o Eleito, mas de se crer eleito por um deus chauvinista, racista e genocidário.

O sonho bíblico insuflado por Yavé ao seu povo eleito, tanto no livro do Êxodo como nos livros dos profetas, não é apenas um sonho racial e nacional; é muito claramente um sonho imperial. Jerusalém deverá tornar-se o centro dominante do mundo. Lembram-se muitas vezes estes versos do segundo capítulo de Isaías como prova que a mensagem profética é pacífica: «Eles quebrarão as suas espadas para fazer delas relhas de arados, e as suas lanças para fazer delas foices. Nenhuma nação erguerá mais a espada contra outra nação, não se aprenderá mais a fazer a guerra.» Mas omitem sempre os versos precedentes, que indicam que este tempo de paz só chegará quando «todas as nações» renderem homenagem «na montanha de Yavé, na Casa do Deus de Jacob», assim que Yavé, no seu Templo, «julgará entre as nações.» Em certos círculos intelectuais, o sionismo moderno concebe-se ainda como um projeto de Nova ordem mundial. Jacques Attali vê-se assim a «imaginar, sonhar com uma Jerusalém tornada capital do planeta que será um dia unificado em torno de um governo mundial.»

O sonho bíblico de império é indissociável de um prévio pesadelo de guerra mundial. O profeta Zacarias, muitas vezes citado nos fóruns sionistas, prediz no seu capítulo14 que Yavé combaterá «todas as nações» coligadas contra Israel. Num único dia, toda a terra se tornará um deserto, à excepção de Jerusalém, que «será içada e permanecerá no seu lugar». O talento profético de Zacarias parece ter-lhe dado uma visão do que Deus poderá fazer com armas atómicas: «E eis qual será a desgraça com que o Eterno atingirá todos os povos que tenham combatido contra Jerusalém: ele fará cair a sua carne apodrecida enquanto estejam de pé sobre os seus pés, os seus olhos fundir-se-ão nas suas órbitas, e a sua língua se fundirá na sua boca.» Só após esta carnificina é que virá a paz mundial: «Acontecerá que todos os sobreviventes de todas as nações, que marcharam contra Jerusalém, subirão ano após ano a prostrar- se diante do rei Yavé Sabaot e a celebrar a festa das Tendas. Aquela das famílias da terra que não subir a prostrar-se em Jerusalém, diante do rei Yavé Sabaot, não terá chuva para si. Etc.»

O general Wesley Clark testemunhou em numerosas ocasiões, diante das cameras, que uma dezena de dias após o 11 de setembro de 2001, aquando de uma visita ao Pentágono para lá se encontrar com Rumsfeld e Wolfowitz, ele soube por um general, que ele recusa identificar, que a decisão de invadir o Iraque estava já tomada ao mais alto nível. Duas semanas mais tarde, quando as operações tinham começado no Afeganistão, Clark perguntou ao mesmo general se ainda havia a intenção de invadir o Iraque, e este respondeu-lhe, exibindo um documento: «Oh, é pior do que isso. Eu tenho aqui um memorando que descreve como se vai tomar sete países em cinco anos, começando pelo Iraque, depois a Síria, o Líbano, a Líbia, a Somália e o Sudão, e acabando pelo Irão».  [123]. Ora, segundo o Deuteronómio 7, Yavé entregará a Israel «sete nações maiores e mais poderosas que tu. [...] Yavé teu Deus entregar-tas-á, elas permanecerão submetidas a grandes aflições até que elas sejam destruídas. Ele entregará os seus reis ao teu poder e tu apagarás o seu nome por debaixo dos céus». Estas «sete nações», ainda evocadas em Josué 24:11 e Actos 13:19, fazem parte dos mitos sionistas inculcados aos estudantes israelitas desde a idade dos nove anos, com o culto da guerra santa. Conformando o ensinamento de Leo Strauss, o projeto neo-conservador de atacar «sete países» alimenta-se do mito bíblico das «sete nações».

Tradução
Alva

[1] «If there is an intellectual movement in America to whose invention Jews can laysole claim, neoconservatism is it. It’s a thought one imagines most American Jews, overwhelmingly liberal, will find horrifying. And yet it is a fact that as a political philosophy, neoconservatism was born among the children of Jewish immigrants and is now largely the intellectual domain of those immigrants’ grandchildren.» in «The Neoconservstism Persuasion», por Gal Beckerman, The Forward, 6 de Janeiro de 2006.

[2] «The idea that Jews have been put on earth to make it a better, perhaps even a holy, place» in The Neoconservative Revolution: Jewish Intellectuals and the Shaping of Public Policy, por Murray Friedman, Cambridge University Press (2005).

[3] «If you had exiled them to a desert island a year and half ago, the Iraq war would not have happened.», Citado em «White man’s burden», por Ari Shavit, Haaretz, 3 de Abril de 2003.

[4] The Closing of the American Mind: How Higher Education Has Failed Democracy and Impoverished the Souls of Today’s Students, (1988).

[5] «Leo Strauss and the World of Intelligence», por Abram Shulsky e Gary Schmitt (1999). (artigo descarregável)

[6] «Deception is the norm in political life»- (A mentira é a norma da vida política,NdT)

[7] Thoughts on Machiavelli, por Leo Strauss, Free Press 1958.

[8] «We are in sympathy with the simple opinion about Machiavelli, not only because it is wholesome, but above all because a failure to take that opinion seriously prevents one from doing justice to what is truly admirable in Machiavelli: the intrepidity of his thought, the grandeur of his vision, and the graceful subtlety of his speech.»

[9] «Machiavelli does not go to the end of the road; the last part of the road must be travelled by the reader who understands what is omitted by the writer.»

[10] «To discover from his writings what he regarded as the truth is hard; it is not impossible.»

[11] «Elliott Abrams, le "gladiateur" converti à la "théopolitique"», por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 14 de Fevereiro de 2005. (Elliot Abrams, o “gladiador” convertido à “teo-política” )

[12] Faith or Fear: How Jews Can Survive in a Christian America, por Elliott Abrams, Touchstone (1997): «Fora da terra de Israel, não pode aqui haver qualquer dúvida que os judeus, fieis à aliança entre Deus e Abraão, devem manter-se aparte do povo da nação onde vivem. É próprio da natureza do ser judeu estar separado – salvo em Israel – do resto da população» [[«Outside the land of Israel, there can be no doubt that Jews, faithful to the covenant between God and Abraham, are to stand apart from the nation in which they live. It is the very nature of being Jewish to be apart — except in Israel — from the rest of the population.»

[13] «There is a place in the world for non-ethnic nations and there is a place for ethnic nations.». Citado em «A Tragedy of Errors», por Michael Lind, The Nation, 23 de Fevereiro de 2004.

[14] «The Contentious Magazine That Transformed the Jewish Left into the Neoconservative Right.»

[15] «This is to drive a knife into the heart of Israel. [...] Jews don’t like big military budget, but it is now an interest of the Jews to have a large and powerful military establishment in the United States. [...] American Jews who care about the survival of the state of Israel have to say, no, we don’t want to cut the military budget, it is important to keep that military budget big, so that we can defend Israel.»

[16] «A liberal who has been mugged by reality.»

[17] «Les marionnettistes de Washington», por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 13 de Novembro de 2002.

[18] «L’Institut américain de l’entreprise à la Maison-Blanche», Rede Voltaire, 21 de Junho de 2004.

[19] «Daniel Pipes, expert de la haine», Rede Voltaire, 5 de Maio de 2004.(Daniel Pipes, o perito do ódio)

[20] «Paul Wolfowitz, l’âme du Pentagone», por Paul Labarique, Rede Voltaire, 4 de Outubro de 2004.(Paul Wolfowitz, a alma do Pentágono)

[21] The Real Anti-Semitism in America, por Nathan Perlmutter, Arbor House Pub Co (1982).

[22] «Peacemakers of Vietnam vintage, transmutters of swords into plowshares»

[23] Dangerous Liaison: the Inside Story of the U.S.-Israeli Covert Relationship, por Andrew and Leslie Cockburn, Harpercollins (1991).

[24] «The crazies» - (os Loucos, NdT)

[25] «Dick Cheney, le patron des Républicains», Rede Voltaire, 18 de Outubro de 2004. (Dick Cheney, o patrão dos Republicanos, NdT)

[26] O assunto é revelado no «US Strategy Plan Calls For Insuring No Rivals Develop» por Patrick E. Tyler, no New York Times de 8 de Março de 1992. O quotidiano publica igualmente largos extratos na página 14: «Excerpts from Pentagon’s Plan: "Prevent the Re-Emergence of a New Rival"». Informações suplementares são apresentadas em «Keeping the US First, Pentagon Would preclude a Rival Superpower» por Barton Gellman, no The Washington Post de 11 de Março de 1992.

[27] «For deterring potential competitors from even aspiring to a larger regional or global role.»

[28] «Extend the current Pax Americana»

[29] «A military that is strong and ready to meet both present and future challenges.»

[30] Rebuilding America’s Defenses, versão francesa Reconstruire les défenses de l’Amérique descarregável, traduzida (para o francês) por Pierre-Henry Bunel para ReOpen911. (Reconstruir as defesas da América, NdT)

[31] «Able to rapidly deploy and win multiple simultaneous large-scale wars»

[32] «A new family of nuclear weapons designed to address new sets of militaryrequirements.»

[33] «The process of transformation [...] is likely to be a long one, absent some catastrophic and catalyzing event — like a new Pearl Harbor.»

[34] «John Bolton et le désarmement par la guerre», Rede Voltaire, 30 de Novembro de 2004. (Jonh Bolton e o desarmamento pela guerra, NdT)

[35] «Condoleezza Rice, toujours "deux fois meilleure que les autres"», por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 16 de Outubro de 2008. (Condoleeza Rice, sempre “duas vezes melhor que os outros, NdT)

[36] «La "Guerre des civilisations"», por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 4 de Junho de 2004. (A guerra das civilizações, NdT)

[37] The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy por John J. Mearsheimer e Stephen M.Walt, Farrar Straus Giroux. Versão francesa: Le lobby pro-israélien et la politique étrangère américaine, La Découverte (2007). - (O lobbi pró-israelita e a política externa americana,NdT)

[38] «Washington soucieux de compromettre ses amis», pelo General Guennadi Evstafiev, Rede Voltaire, 25 de Novembro de 2005. «Un ex-cadre de l’AIPAC confirme l’accès du lobby aux secrets US», Rede Voltaire, 4 de Janeiro de 2011. - (Um ex-quadro do AIPAC confirma o acesso do lobbi aos segredos dos E.U., NdT)

[39] «Ahmed Chalabi, parcours d’un aventurier», Rede Voltaire, 31de Maio de 2004. (Ahmed Chalabi, percurso de um aventureiro,NdT)

[40] Soldier: The Life of Colin Powell, por Karen DeYoung, Vintage (2007)

[41] «Separate little government»

[42] «The JINSA crowd»

[43] «La cabale de la Maison-Blanche», por Lawrence B. Wilkerson, Rede Voltaire, 8 de Novembro de 2005. - ( A cabala da Casa-Branca, Ndt)

[44] «A lot of these guys, including Wurmser, I looked at as card-carrying members of the Likud party, as I did with Feith. You wouldn’t open their wallet and find a card, but I often wondered if their primary allegiance was to their own country or to Israel. That was the thing that troubled me, because there was so much that they said and did that looked like it was more reflective of Israel’s interest than our own.»

[45] «The most hawkishly pro-Israel voice in the Administration»

[46] Zionism, Militarism and the Decline of U.S. Power, por James Petras, Clarity Press (2008)

[47] Israel and the Clash of Civilisations Iraq, Iran, and the Plant to Remake the Middle East, por Jonathan Cook, Pluto Press (2008).

[48] The Transparent Cabal: The Neoconservative Agenda, War in the Middle East and the National Interest of Israel, pela Ihs Press (2008)

[49] A Clean Break: A New Strategy for Securing the Realm, IASPS, 8 de Julho 1996. Uma versão abreviada está disponível no site do IASPS. O conteúdo completo do documento é conhecido pelos relatórios revelados que o Guardian publicou à época.

[50] «To engage every possible energy on rebuilding Zionism,»

[51] «Our claim to the land — to which we have clung for hope for 2,000 years — is legitimate and noble. [...] Only the unconditional acceptance by Arabs of our rights, especially in their territorial dimension, ‘peace for peace,’ is a solid basis for the future.»

[52] «Everybody has to move, run and grab as many hilltops as they can to enlarge the settlements because everything we take now will stay ours»

[53] «Les néo-conservateurs et la politique du "chaos constructeur"», por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 25 de Julho de 2006. - (Os neo-conservadores e a política do “caos construtivo” , NdT)

[54] Sob a presidência de Richard Perle, o Defense Policy Board Advisory Committee- sigla em inglês para Direcção do Comité Consultivo para a Política de Defesa, NdT - incluia Kenneth Adelman, Richard V. Allen, Martin Anderson, Gary S. Becker, Barry M.Blechman, Harold Brown, Eliot Cohen, Devon Cross, Ronald Fogleman, Thomas S. Foley, Tillie K. Fowler, Newt Gingrich, Gerald Hillman, Charles A. Horner, Fred C. Ikle, David Jeremiah, Henry Kissinger, William Owens, J. Danforth Quayle, Henry S. Rowen, James R. Schlesinger, Jack Sheehan, Kiron Skinner, Walter B. Slocombe, Hal Sonnenfeldt, Terry Teague, Ruth Wedgwood, Chris Williams, Pete Wilson et R. James Woolsey, Jr.

[55] Coping with Crumbling States: A Western and Israeli Balance of Power Strategy for the Levant, IASPS, Dezembro de 1996.

[56] «The residual unity of the nation is an illusion projected by extreme repression of the state.»

[57] «The Case for Toppling Saddam The longer America waits, the more dangerous he becomes». , por Benjamin Netanyahu, The Wall Street Journal, 20 de Setembro de 2002.

[58] «A dictator who is rapidly expanding his arsenal of biological and chemical weapons, who has used these weapons of mass destruction against his subjects and his neighbors, and who is feverishly trying to acquire nuclear weapons.»

[59] «Ben Laden was involved in the first attack on the WTC which had as its intention doing exactly what happened here, which is the collapse of those towers. He certainly has to be a prime suspect. But there are others in the Middle East, and there are at least two States, Iran and Irak, which should at least remain on the list as essential suspects.»

[60] «It is the day that will change our lives. It is the day when the war that the terrorists declared on the US [...] has been brought home to the U.S.»

[61] «In language familiar to the Americans by tapping into themes of American administrations during the cold war which apply well to Israel.»

[62] «Promote Western values and traditions. Such an approach [...] will be well received in the United States.»

[63] «Such self-reliance will grant Israel greater freedom of action and remove a significant lever of [United States] pressure used against it in the past.»

[64] An End to Evil: How to Win the War on Terror, por Richard Perle e David Frum, Ballantine Books (2003). Ler: «Le programme des faucons pour 2004http://www.voltairenet.org/article1...», por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 25 de Dezembro de 2003. - (O programa dos falcões para 2004, NdT)

[65] «End this evil before it kills again and on a genocidal scale. There is no middle way for Americans: It is victory or holocaust.»

[66] «Why would Iraq attack America or use nuclear weapons against us? I’ll tell you what I think the real threat is and actually has been since 1990: it’s the threat against Israel. And this is the threat that dare not speak its name, because the Europeans don’t care deeply about that threat, I will tell you frankly. And the American government doesn’t want to lean too hard on it rhetorically, because it is not a popular sell.»

[67] «No one should doubt that the United States and Israel share a common enemy. We are both targets of what you have correctly called an “Axis of Evil.” Israel is targeted in part because it is our friend, and in part because it is an island of liberal, democratic principles — American principles — in a sea of tyranny, intolerance, and hatred.»

[68] «Today we are all Americans [...] For the bin Ladens of the world, Israel is merely a sideshow. America is the target.», Testimony of former Israeli Prime Minister Netanyahu before House Government Reform Committee.

[69] «We are all Israelis now.»

[70] «Since September 11th, we Americans have one thing more in common with Israelis. On that day America was attacked by suicide bombers. At that moment everyAmerican understood what it was like to live in Jerusalem, or Netanya or Haifa. And since September 11th, Americans now know why we must fight and win the war on terrorism.» in Transcript of remarks at Pro-Israel Rally, por Paul Wolfowitz, West Front of United States Capitol, Washington D.C., 2a Feira 15 de Abril de 2002.

[71] «Since the Sept 11th attack on the US, Israel’s PR strategy has been to frame all Palestinian action, violent or not, as terrorism. To the extent that they can do that, they’ve repackaged an illegal military occupation as part of America’s war on terror» In Peace, Propaganda and the Promised Land, documentário de Sut Jhally e Bathsheba Ratzkoff (2004)- (Em Paz,Propaganda e a Terra Prometida, NdT)

[72] «To integrate and leverage history and communications for the benefit of Israël»

[73] Wexner Analysis: Israeli Communication Priorities 2013. Versão francesa La communication israélienne pour 2003 selon la Fondation Wexner, Traduction Marcel Charbonnier, Rede Voltaire, 4 de Julho de 2003. - (na Tradução para francês de Marcel Charbonnier - A informação israelita para 2003 segundo a Fundação Wexner, NdT)

[74] «The two words that tie Israel to America» et «two of the most hated words in the English language right now»

[75] «For a year — a SOLID YEAR — you should be invoking the name of Saddam Hussein and how Israel was always behind American effort to rid the world of this ruthless dictator and liberate their people.»

[76] Greg Felton, The Host and the Parasite: How Israel’s Fifth Column Consumed America, Bad Bear Press, 2010, p. 248-9. (O hospedeiro e o parasita: Como a 5a Coluna de Israel consome a América)

[77] The War Against the Terror Masters: Why It Happened, Where We Are Now, How We’ll Win, par Michael Ledeen, St. Martin’s Griffin (2003).

[78] «If we destroy the terror masters in Baghdad, Damascus, Tehran, and Riyadh, we might have a chance of brokering a durable peace [in Palestine].»

[79] Tyranny’s Ally: America’s Failure to Defeat Saddam Hussein, par David Wurmser, AEI Press (1999)

[80] Study of Revenge: The First World Trade Center Attack and Saddam Hussein’s War Against America, por Laurie Mylroie com um prefácio de James Woolsey, AEI Press (2000).

[81] «An undercover war of terrorism, waged by Saddam Hussein»

[82] «A phase in a conflict that began in August 1990, when Iraq invaded Kuwait,and that has not ended.»

[83] «Splendid and wholly convincing»

[84] «Even if evidence does not link Iraq directly to the attack, any strategy aiming at the eradication of terrorism and its sponsors must include a determined effort to remove Saddam Hussein from power in Iraq. Failure to undertake such an effort will constitute an early and perhaps decisive surrender in the war on international terrorism.»

[85] «Broad linkages»

[86] Inicialmente, a unidade era chamada Office for the Strategic Influence (OSI), cf. «Rumsfeld cible la France et l’AllemagneRumsfeld visa a França e a Alemanha, NdT», por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 2 de Janeiro de 2003. Ela tornou-se em seguida a Office of Special Plans (OSP)-(Gabinete de Planos Especiais,NdT), cf. Histoire secrète du Mossad: de 1951 à nos jours- História secreta da Mossad: de 1951 aos nossos dias-NdT, por Gordon Thomas, Points, 2007, p. 552-554.

[87] «Usurp measured and carefully considered assessments, and through suppression and distortion of intelligence analysis promulgate what were in fact falsehoods to both Congress and the executive office of the president.» «This was creatively produced propaganda.»

[88] Syria Accountability and Lebanese Sovereignty Restoration Act

[89] «To halt Syrian support for terrorism, end its occupation of Lebanon, stop its development of weapons of mass destruction.»

[90] «Let’s Defeat Syria, Not Apease It»- (Derrotemos a Síria, não a apaziguemos NdT), por David Wurmser, The Wall Street Journal, 25 de Fevereiro de 2000. O plano inicial previa atacar a Síria a partir do Líbano, só após a surpreendente vitória do Hezbolla em 2006 contra Israel foi que os neo-conservadores encararam recorrer à OTAN.

[91] «Syria will slowly bleed to death»

[92] Countdown to Crisis: The Coming Nuclear Showdown With Iran, por Kenneth Timmerman, Crown Forum (2005)

[93] «The regime of Teheran has a choice to make. [...] If Iran makes the wrong choice, America will act to protect our interests and our troops and our Iraqi partners.»

[94] «The secret cabal got what it wanted: no negociations with Tehran.»

[95] Iran: Nuclear Intentions and Capabilities, National Intelligence Estimates (2007). Versão francesa: «Iran: intentions et possibilités nucléaires, extraits du NIE», Rede Voltaire, 17 de Dezembro de 2007.(Irão: intenções e capacidades nucleares, relatórios do NIE, NdT)

[96] «Washington décrète un an de trêve globale», por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 3 de Dezembro de 2007.«Réactions internationales à la publication du NIE sur l’Iran», Rede Voltaire, 17 de Dezembro de 2007.(Reações internacionais à publicação do NIE,NdT)

[97] «Put a virtual armada, unannounced, on Iran’s doorstep»

[98] «La Maison-Blanche sacrifiera-t-elle la Ve flotte pour justifier la destruction nucléaire de l’Iran?»- (Sacrificará a Casa Branca a Va esquadra para justificar a destruição nuclear do Irão?-NdT), par Michael Salla, Traducção de Marcel Charbonnier, Rede Voltaire, 18 de Novembro de 2007. Informação confirmada quatro anos mais tarde: «Why was a Navy adviser stripped of her career?», por Jeff Stein, The Washington Post, 21 de Agosto de 2012

[99] «The Saudi Connection», por David Wurmser, The Weekly Standard, 29 de outubro 2001.

[100] «Discourses on Democracy: Saudi Arabia, Friend or Foe?», 6 de Junho de 2003

[101] Hatred’s Kingdom: How Saudi Arabia Supports the New Global Terrorism, por Dore Gold, Regnery Publishing (2004).

[102] Hatred’s Kingdom: How Saudi Arabia Supports the New Global Terrorism, por Dore Gold, Regnery Publishing (2004).

[103] «Iraq is the tactical pivot. Saudi Arabia the strategic pivot. Egypt the prize.»

[104] Princes of Darkness: the Saudi Assault on the West, par Laurent Murawiec, Rowman & Littlefield (2005). A versão original redigida em francês não foi publicada. (Príncipes das Trevas: o assalto Saudita ao Ocidente, NdT)

[105] La Face cachée du 11 Septembre, por Éric Laurent, Plon (2004)

[106] «The Saudis qualify for their own membership in the axis of evil»

[107] Tell the truth about Saudi Arabia»

[108] Declaration of War Against the Americans Occupying the Land of the Two Holy Places

[109] «He became president, but he didn’t know why, and on sept 11, he discovered why.»

[110] «US authorities sought his removal after confirming the fact that $100,000 were wired to WTC hijacker Mohamed Atta from Pakistan by [ISI agent] Ahmed Omar Saïd Sheikh at the instance of General Mahmud.» in «India helped FBI trace ISI-terrorist links», por Manoj Joshi, Times of India, 9 de outubro de 2001.

[111] «We were talking about terrorism, specifically terrorism generated from Afghanistan», citado in «Secret Hearings hide 911 terrorist links to Congress/White House», por Tom Flocco, American Free Press, 8 de outubro de 2002.(Audiências secretas escondem ligações terrorista do 11 de Set. ao Congresso/Casa Branca, NdT)

[112] Deadly Embrace: Pakistan, America, and the Future of Global Jihad, por Bruce Riedel, Brookings Institution

[113] «An astonishing degree of duplicity», «the secret patron of global jihad on a scale almost too dangerous to conceive. We would need to rethink our entire relationship with Pakistan and our understanding of its strategic motives.»

[114] «World War IV: Why We Fight, Whom We Fight, How We Fight», colóquio organizado pelo Committee on the Present Danger e a Foundation for the Defense of Democracies, Mayflower Hotel (Washington), 29 de setembro de 2004. Com a presença de Paul Wolfowitz, John Kyl, Joseph Lieberman, R. James Woolsey, Norman Podhoretz, Eliot Cohen, Rachel Ehrenfeld.

[115] «How to Win World War IV»- (Como vencer a IVa Guerra Mundial,NdT)

[116] «World War IV: How It Started, What It Means, and Why We Have to Win»

[117] World War IV: The Long Struggle Against Islamofascism, por Norman Podhoretz, Vintage (2008).

[118] «We are up against a truly malignant force in radical Islamism and in the states breeding, sheltering, or financing its terrorist armory. This new enemy has already attacked us on our own soil — a feat neither Nazi Germany nor Soviet Russia ever managed to pull off — and openly announces his intention to hit us again, only this time with weapons of infinitely greater and deadlier power than those used on 9/11. His objective is not merely to murder as many of us as possible and to conquer our land. Like the Nazis and Communists before him, he is dedicated to the destruction of everything good for which America stands.»

[119] «There can be no worthwhile political or military education about Israel without profound knowledge of the Bible» in Ben-Gurion, Prophet of fire, por Dan Kurzman, Simon and Schuster (1983).(Não pode haver compreensão política ou militar válida acerca de Israel sem um profundo conhecimento da Bíblia, em Ben- Gurion, Profeta de Fogo,NdT)

[120] «This will be our revenge for what they did to our ancestors in biblical times». Citado em The Ethnic Cleansing of Palestine, por Ilan Pappé, Oneworld Publications. Versão francesa Le Nettoyage ethnique de la Palestine- A Limpeza étnica da Palestina, Fayard (2008).

[121] Zionism in the Age of the Dictators, Lawrence Hill & Co (1983) e 51 Documents: Zionist Collaboration with the Nazis, Barricade Books (2009)

[122] Wir Juden, por Joachim Prinz (1934).

[123] «Oh, it’s worse than that. This is a memo that describes how we’re gonna take out seven countries in five years, starting with Irak, and then Syria, Lebanon, Libya, Somalia and Sudan and finishing off with Iran.» ( Oh, é pior do que isso. Este é um memorando que descreve como vamos tomar sete países em cinco anos, começando com o Iraque, depois a Síria, Líbano, Líbia, Somália, Sudão e acabando com o Irão, NdT)

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