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São Paulo e Porto Alegre -Movimentos sociais e partidos de esquerda- incluindo o PT - realizaram, na manhã desta quarta-feira (11), uma manifestação de apoio ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, em frente ao consulado desse país em São Paulo. A atividade faz parte da agenda do Comitê Paulista de Solidariedade à Venezuela, grupo que reúne, entre outros, a CUT, o MST, vários sindicatos paulistas e movimentos bolivarianos independentes.

O horário um pouco ingrato -11h30 da manhã de uma quarta-feira de trabalho- não estimulou a presença de grandes massas, mas estiveram representados e reiteraram o apoio a Chávez todas as organizações da Coordenação dos Movimentos Sociais (CUT, MST, Marcha Mundial de Mulheres, estudantes etc), além dos já tradicionais partidos PCdoB, PSTU, PSOL e, desta vez, também o PT.

Convidado a se pronunciar, o cônsul venezuelano em São Paulo, Jorge Luis Duran, afirmou que, sendo a vitória de Chávez praticamente garantida (segundo maioria das pesquisas eleitorais), o referendo do dia 15 é “ratificatório, não revogatório”.

“Acho que o processo venezuelano concretiza definitivamente a democracia na América do Sul, devendo não apenas fortalecer a própria Venezuela, mas também os espaços do Mercosul, onde acaba de ser inserida, e a articulação dos povos latino-americanos. Quanto aos EUA, existem boas relações de setores ligados ao candidato John Kerry com setores ligados a Chávez. O povo americano não é o presidente Bush, e independente de qualquer coisa continuaremos um grande fornecedor de petróleo para os americanos. Depois do dia 15, continuaremos a investir nos projetos sociais do governo e tentaremos quitar as nossas dívidas com o FMI. Isso feito, a perspectiva para o médio prazo é que a Venezuela passe a se desenvolver com seus próprios recursos, em todos os sentidos”, disse Duran à Agência Carta Maior.

Para os próximos dias, o Comitê Paulista de Solidariedade à Venezuela está programando uma ação de esclarecimento da opinião pública na praça Ramos de Azevedo, no dia 13; e, no dia 15, acompanhará a votação e fará boca-de-urna no consulado da Venezuela, onde votarão os venezuelanos radicados no Brasil.

Atividades pró-Chávez em Porto Alegre

No Rio Grande do Sul, entidades do movimento social, sindicatos e partidos políticos assinaram um manifesto de apoio a Chávez. Segundo o texto, "votar pela permanência do presidente Hugo Chávez é defender a soberania do povo venezuelano e latino-americano, em sua luta histórica por autonomia, pelo controle público de seus recursos energéticos (como o petróleo, o gás e a água), sua biodiversidade (na Amazônia, mares e montanhas) e suas culturas". Chávez, prossegue o manifesto, "representa a resistência mais contundente à Área de Livre Comércio das Américas, a Alca, e às suas terríveis conseqüências para a democracia e para os trabalhadores de nosso continente. Porque Chávez é hoje o signo do antiimperialismo na América do Sul".

O texto também denuncia a participação duas instituições internacionais no processo venezuelano: o Centro Carter e o Human Rights Watch (HRW). O Centro Carter, defendem as organizações que assinam o manifesto, "vem atuando no país desde 2002, sempre legitimando as ações da oposição implicada em golpes de Estado, alçamentos militares, terrorismo, paradas empresariais que devastam a economia do país".

Sobre o Human Rights Watch, o texto afirma: "dirigido pelo senhor Vivanco e financiado pelo mega especulador George Soros, pediu abertamente a intervenção da OEA na Venezuela e o cancelamento de financiamentos internacionais ao projeto de reforma do judiciário que procede o governo Chávez". "Entre os dirigentes de HRW figura Marc Garlasco, antigo oficial da CIA, como alto analista militar. Cabe ressaltar que o HRW apoiou a invasão norte-americana nos Bálcãs, silenciou sobre os crimes de guerra, incluindo o bombardeio a objetivos civis e frente ao extermínio de duzentos mil albaneses em Kosovo", acrescenta.

Em Porto Alegre, as atividades de apoio ao presidente Hugo Chávez iniciam nesta quinta-feira (12), com a realização do ato-show "Se nós fôssemos venezuelanos, votaríamos em Chávez", na Usina do Gasômetro (sala 209). Estão confirmados os shows de Nancy Araújo & Eduardo Solaris e Serrote Preto e a presença de artistas, intelectuais e lideranças dos movimentos sociais e de partidos políticos. No dia do referendo, está marcada uma vigília para acompanhar o processo de votação e apuração.