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«Sob os nossos olhos»

A CIA coordena nazis e jihadistas

O mundo muda. Ontem, tínhamos uma direita capitalista e uma esquerda socialista. Hoje em dia o mundo é dominado pelos Estados Unidos, e a primeira questão que se coloca é ou de os servir ou de lhes resistir. Como durante a Segunda Guerra mundial encontram-se todas as ideologias em cada campo. De momento, Washington coordena a aliança na Europa entre nazis e jihadistas, com a bênção dos Russos anti- Putin.

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A 8 de maio de 2007, em Ternopol (oeste da Ucrânia), grupúsculos nazis e islamistas criam uma pretensa Frente anti-imperialista afim de lutar contra a Rússia. Organizações da Lituânia, da Polónia, da Ucrânia e da Rússia tomam parte nisto, entres os quais separatistas islamistas da Crimeia, da Adigueia, do Daguestão, da Ingúchia, da Cabardino-Balcária, do Carachai-Cerquéssia, da Ossétia, da Chechénia. Não podendo aparecer nela devido às sanções internacionais, Dokka Umarov, fez ler nela a sua mensagem. A Frente é presidida por Dmytro Yarosh, o qual se tornou aquando do golpe de Estado de Kiev, em fevereiro de 2014, secretário-adjunto do Conselho de segurança nacional da Ucrânia.

A confrontação entre os golpistas de Kiev, apoiados pela Otan e os federalistas ucranianos, apoiados pela Rússia, chegou a um ponto sem retorno. A 2 de maio o presidente Olexander Turchinov e o oligarca israelita Ihor Kolomoïsky organizaram um massacre na Sede dos sindicatos de Odessa, que a imprensa o ocidental a princípio minimizou, e depois silenciou quando os testemunhos e as provas se acumularam [1]. Após estes horrores, não é possível que continue mais a vivência conjunta de ambas as populações.

São possíveis três cenários: ou os Estados Unidos vão fazer da Ucrânia uma nova Jugoslávia e lá provocar uma guerra, na esperança de aí envolver a Rússia e a União europeia e de os atolar nisto; ou vão multiplicar os teatros de confronto ao redor da Rússia, começando pela Geórgia; ou, ainda, vão mover combatentes irregulares que desestabilizem a própria Rússia, na Crimeia ou no Daguestão.

Qualquer que seja a opção escolhida, Washington está desde já a montar um exército de mercenários. O Conselho de Defesa de Kiev enviou emissários à Europa Ocidental, para recrutar militantes de extrema-direita para vir lutar contra os federalistas (qualificados como «pró-russos»). Assim, foi já criada uma célula Pravy Sektor-França, cujos membros serão proximamente integrados na Guarda Nacional ucraniana. Para além disso, o Conselho de Defesa de Kiev pretende «aumentar o tamanho» acrescentando a estes neo-nazis, do ocidente europeu, jihadistas com uma real experiência militar.

Na realidade, se nos abstrairmos bem do brique-à-braque simbólico de uns e de outros, nazis e jihadistas de hoje em dia têm em comum, ao mesmo tempo, o culto da violência e o sonho sionista de dominação mundial. Eles são, pois, compatíveis com todas as outras organizações apoiadas por Washington, inclusive com a Frente de esquerda russa de Serguei Oudaltsov e com o seu amigo, o líder anti-Putin, Alexeï Navalny. Há já, aliás, numerosos contatos entre eles.

Mais do que aplicar a divisão direita/esquerda da guerra Fria, hoje a pertinente linha única de divisão, é imperialismo / resistência. Na Ucrânia, o pessoal de Kiev cita o combate da Wehrmacht contra os judeus, os comunistas e os russos, enquanto o de Donetsk celebra a vitória da pátria, contra o fascismo, durante a «Grande Guerra patriótica» (Segunda Guerra Mundial). As pessoas de Kiev definem a sua identidade pela sua História, real ou mitificada, enquanto as de Donetsk se afirmam como pessoas originárias de comunidades históricas diferentes, mas unidas pela sua luta contra a opressão.

A prova que esta linha de divisão é a única pertinente é o oligarca judeu Ihor Kolomoïsky, que financia os que cantam «Morte aos judeus!». É um mafioso que amassou uma das maiores fortunas da Europa, capturando de pistola em punho grandes companhias de metalurgia, de finanças e de energia. Ele é apoiado pelos Estados Unidos, e colocou diversas personalidades dos EUA – um dos quais o filho do vice-presidente Biden—no conselho de administração da sua holding de gaz [2]. Mas não só, ele não tem nenhum problema em financiar grupos nazis, pelo contrário ele exultava quando estes assassinarem, às suas ordens, judeus anti-sionistas em Odessa.

A colaboração entre nazis e jihadistas não é nova. Ela tem a sua origem nas três divisões muçulmanas das Waffen SS. A 13a divisão «Handschar» era formada por bósnios, a 21o «Skanderbeg» de Kosovares e a 23a «Kama» por croatas. Eram, pois, todos muçulmanos praticando um Islão (Islã-Br) influenciado pela Turquia. Para falar a verdade, a maioria destes combatentes desertou durante a guerra contra o Exército Vermelho.

Mais recentemente, nazis e takfiristas combateram novamente, em conjunto, contra os russos, durante a criação do emirado islâmico de Itchquéria (Segunda Guerra da chechénia, em 1999 -2000).

A 8 de maio de 2007, em Ternopol (Oeste da Ucrânia), nazis baltas, polacos (poloneses-Br), ucranianos e russos e jihadistas, ucranianos e russos, criaram uma pretensa frente anti-imperialista com o apoio da CIA. Esta organização é presidida por Dmytro Yarosh, que se tornou após o golpe de estado de Kiev, em fevereiro de 2014, secretário-adjunto do Conselho de Segurança nacional da Ucrânia, depois candidato do Pravy Sektor («Sector de Direita»-ndT) à eleição presidencial de 25 de maio.

Em julho, 2013, o emir do Cáucaso e responsável local da Al-Qaida, Dokou Oumarov, apelou aos membros da «frente anti-imperialista» para irem lutar na Síria. Porém, não há nenhuma prova clara sobre a participação de nazis nas actuais operações de desestabilização do Levante.

Por fim algumas dezenas de jihadistas tártaros da Crimeia vieram bater-se na Síria, depois foram transportados pelo MIT (serviço secreto-ndT) turco para Kiev para participar nos eventos de EuroMaidan, e no golpe de Estado de 22 de fevereiro ao lado de Dmytro Yarosh [3].

As medidas tomadas na Europa, a pedido do secretário dos EUA para Segurança da Pátria, Jeh Johnson, afim de impedir o retorno dos jihadistas a casa, mostra que a CIA tenciona usá-los numa nova frente [4]. A resignação forçada do príncipe Bandar bin Sultan, a 15 de abril, a pedido do Secretário de Estado John Kerry [5], depois a do seu irmão, o príncipe Salman bin Sultan, no dia 14 de maio, por pressão do Secretário da Defesa Chuck Hagel [6], atestam a vontade dos Estados Unidos em reformular o dispositivo jihadista.

Saberão os resistentes europeus e árabes aliar-se também?

Tradução
Alva

Fonte
Al-Watan (Síria)

[1] «Crimen en Odesa», por Thierry Meyssan, Red Voltaire, Damasco, 7 de mayo de 2014. «Las masacres en Odesa dan el tiro de gracia a la unidad de Ucrania», Red Voltaire, Moscú, 13 de mayo de 2014; «Banho de sangue em Odessa dirigido por governantes interinos da Ucrânia», Rede Voltaire, 16 de Maio de 2014.

[2] «Na Ucrania, filho de Joe Biden junta o util ao agradavel», Rede Voltaire, 16 de Maio de 2014.

[3] «Jihadistas asseguram o servico de ordem as manifestacoes de Kiev», Rede Voltaire, 8 de Dezembro de 2013.

[4] «Siria converte-se em «tema de seguranca interna» para Estados Unidos e Uniao Europeia», Rede Voltaire, 2 de Fevereiro de 2014.

[5] «Dimisión del príncipe saudita Bandar bem Sultan», Red Voltaire, 17 de abril de 2014

[6] «Redistribución de papeles en Arabia Saudita», Red Voltaire, 16 de mayo de 2014.

Thierry Meyssan

Thierry Meyssan Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).

 
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