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Entrega ininterrupta de material de guerra electrónico russo à Síria

A Rússia implementa as decisões tomadas após a destruição de um Ilyushin Il-20, em 17 de Setembro de 2018, aquando de um ataque conjunto franco-britânico-israelita. O Ministério da Defesa russo dota o exército sírio não apenas de um sistema de defesa antiaérea mais capaz (S-300s), como também de todo um equipamento de guerra electrónica. Simultaneamente, o Pentágono retira os seus Patriots de vários países da região. O equilíbrio de forças é, assim, profundamente modificado.

| Bucareste (Roménia)
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Para melhorar a segurança dos militares russos posicionados na Síria, dois aviões de carga pesada IL-76 MD aparentemente carregados de material de empastelamento (ECM) aterraram (aterrissaram-br), na segunda à noite, na Base Aérea russa de Latáquia. Terça-feira à noite, seis outros aviões IL-76 MD, escoltados por oito aviões de caças Su-30 SM e Su-35 S, aterraram na Síria. A Al-Masdar News publicou as primeiras fotos, postadas pelo Uralinform.ru, aquando do descarregamento dos aviões russos.

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O equipamento desembarcado parece ser do tipo 1RL257 Krasukha-4 que, com o sistema especial de interferência Zhitel R-330ZH, protegerá a Síria contra os sistemas inimigos de guerra electrónica (EW – Electronic Warfare). O EW inclui o suporte e o ataque, bem como a colecta de informações de todo o espectro rádio electrónico (RWR / ESM / Elinta), etc.

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Estes equipamentos de empastelamento entrarão ao serviço do Exército Sírio, assim como a gestão do espaço aéreo e os sistemas de mísseis S-300. As antenas, os transmissores, os servidores de análise e do centro de acção que compõem o complexo Krasukha-4 são sobretudo destinados à interferência de radares no solo ou a bordo, tal como os instalados nos aviões AWACS (Airborne Warning and Control Systems), os aviões de reconhecimento tripulados (Gulfstream G550-israelita, Sentinel R1 britânico, RC-135, P-8A Poseidon, E-8 Joint- (Sistema de Radar de Vigilância e Ataque Conjunto, sistema norte-americano etc.), e igualmente os aviões de reconhecimento sem piloto (RQ-170 Sentinel, RQ-4 Global Hawk, MQ-1 Predator US, e Heron, Eitan, Hermes 900 israelitas equipados com um radar de síntese de abertura-SAR).

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Além disso, o Krasukha-4 baralha as comunicações dos satélites dos EUA de tipo Lacrosse ou Onyx colocados em órbita baixa, criando assim uma cortina impenetrável. Os radares de avião de ataque assim como as suas estações de rádio ou linhas de dados também serão bloqueados. O empastelamento envolve também o equipamento radar de orientação de mísseis lançados por estes aviões. A distância real de empastelamento (ECR – Electronic Combat Range) é de 150 a 300 km.

O Zhitel R-330ZH está previsto para o empastelamento de redes de comunicação, em particular telefones móveis de tipo GSM 1900 e telefones-satélite de tipo Inmarsat e Iridium. O sistema opera na gama de frequências de 100 a 2000 MHz. O equipamento de escuta de gravações calcula as coordenadas geográficas dos assinantes da rede e analisa os parâmetros do sinal (SIGINT). Isso torna possível a interferência selectiva da Estação emissora de sinal (ECM : electronic contermeasures).

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O Zhitel R 330ZH pode igualmente seguir o diálogo (emissão-recepção) entre os satélites da rede de navegação NAVSTAR (GPS) e os meios de ataque (aviões, helicópteros, mísseis de cruzeiro, bombas guiadas, etc.). Ele pode também baralhar a recepção de sinais emitidos ou recebidos pelos meios de ataque inimigos. Como o raio de acção é apenas de 20 a 30 km, para cobrir um grupo de objectivos espalhado numa grande superfície, são necessárias várias estações de empastelamento Zhitel R-330ZH funcionando em rede.

O exército russo dá detalhes sobre o «escudo de invisibilidade» criado por um único dispositivo Krasukha-4 ou R-330ZH Zhitel. A cobertura é de :
- 11 a 19 km contra o radar da aviões de reconhecimento
- 16 a 41 km contra os sistemas de detecção e de orientação de engenhos a bordo de aviões de ataque e de mísseis de cruzeiro
- 15 a 25 km contra detecção por satélite

Os Norte-americanos, os Britânicos, os Franceses e os Israelitas têm mísseis de cruzeiro capazes de contornar a costa mediterrânea da Síria e de penetrar profundamente no território sírio a partir da Jordânia, de Israel, do Iraque e da Turquia. Por conseguinte, se quiserem uma defesa impenetrável, os Russos terão que fornecer dúzias destes sistemas (4-5 batalhões de empastelamento) ao Exército Sírio.

Tradução
Alva

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